Fantasia sem vergonha da Marvel, Shang Chi relembra o bom e o ruim da fórmula do estúdio

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Shang Chi e a Lenda dos Dez Anéis tem as melhores lutas e algumas das melhores sequências de ação da Marvel, um elenco escolhido com perfeição e ao mesmo tempo um desperdício claro do potencial que apresenta em boa parte de seus argumentos - a começar pelo Mandarim, vilão vivido pelo lendário Tony Leung. A figura dele, ao lado do protagonista, monta a motivação principal do roteiro, que prefere explorar a grandiosidade de uma fantasia visual ao invés de estudar qualquer personagem.

Não é como se a jornada de Shang Chi não fosse divertida e bem construída. Ela tem todos os passos que um herói deve dar, dos amigos engraçados às armas e poderes deslumbrantes, ao gran finale espetaculoso. Dá pra dizer com certa tranquilidade, inclusive, que desde Soldado Invernal a Marvel não colocava cenas de ação tão deslumbrantes em tela. O mesmo serve para o timing cômico e a química entre Simu Liu e Awkwafina, a dupla que carrega o carisma do longa do início ao fim fazendo da aventura um discurso fraternal interessante.

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Por outro lado, o terceiro ato cheio de explosões e magias aleatórias evoca a mais pura Fórmula Marvel no seu pior. Quando tudo caminha para um desenvolvimento mais íntimo e se avista o potencial de personagens que vão além do estereótipo visto há uma década, tudo cai para um espetáculo visual fast food, uma avalanche de imagens impressionantes (aqui felizmente super inspiradas em games e animes) que tomam o espaço de qualquer carga dramática relevante.

É algo que atrapalha a experiência? Difícil dizer, pois o filme se constrói nessa toada e já no segundo ato avisa que veio só para impressionar e expandir, não para inovar. Por isso, Shang Chi é honesto e competente nas próprias missões, que não saem do escopo seguro da Marvel, que nos relembra outra vez que é sinônimo de entretenimento confortável e sem grandes surpresas.

*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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