Famosos participam de campanha sobre cefaleia em salvas: saiba o que é e como diferenciar cada tipo de dor de cabeça

Raphaela Ramos
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RIO — Já ouviu falar em cefaleia em salvas? Por ser pouco conhecido, esse tipo de dor de cabeça muito intensa pode demorar para ser diagnosticado e tratado. De acordo com a neurologista Maria Eduarda Nobre, que lidera uma campanha sobre o tema em parceria com a Sociedade Brasileira de Cefaleia e a Associação Brasileira dos Portadores de Cefaleia em Salvas (Abraces), ela é considerada "a pior dor que existe".

— A cefaleia é o termo técnico para a dor de cabeça, e esse tipo é "em salvas" porque acontece de tempos em tempos. Ocorre sempre do mesmo lado, em torno do olho, mas pode se espalhar pela cabeça — explica Nobre, especialista na área de dor de cabeça.

Para ajudar a campanha a ganhar mais visibilidade, a atriz Simone Zucato reuniu alguns famosos para apoiá-la. Reinaldo Gianechini, Wendel Bendelack, Fernanda de Freitas, Ailton Graça, Inês Peixoto, Paulo Manduca e Rodrigo Fagundes são alguns nomes que participam da ação.

A neurologista afirma que a cefaleia em salvas tem incidência em torno de 0,1% da população ao ano e sua causa ainda é desconhecida.

— No período de um ou dois meses em que a dor está presente a pessoa fica inútil para trabalhar e viver, é muito debilitante. Existem casos de suicídio durante as crises — destaca Nobre.

Segundo a especialista, a maioria dos pacientes demora em torno de seis anos para receber o diagnóstico, pois confundem com outras doenças, como enxaqueca, sinusite, ou algum problema relacionado ao olho.

— Nossa campanha é justamente para chamar atenção de que quando a dor é de um lado só, dura em torno de 45 minutos e olho lacrimeja sozinho é cefaleia em salvas — afirma.

'Nunca tinha ouvido falar até receber o diagnóstico'

A comunicadora Mariane Moura Barcelos, de 28 anos, sempre sentiu muitas dores de cabeça e pensava ter enxaqueca. Mas, por volta dos 15 anos, procurou um especialista e foi diagnosticada com a cefaleia em salvas.

— Eu nunca tinha ouvido falar sobre ela, até receber o diagnóstico. Às vezes a dor é bem intensa, então não consigo ficar no computador e celular, que são alguns dos meus meios de trabalho. Também costumo ficar mais reclusa — diz.

Mariane passou por um tratamento, que conta ter ajudado bastante. Ficou um tempo sem ter crises, mas recentemente voltou a sentir as dores, por isso está com consulta marcada para ir ao médico novamente. Ela acredita que campanhas sobre a cefaleia em salvas são importantes, pois a maioria das pessoas nem sabe que ela existe.

— Muita gente acha que é só dor de cabeça comum. Campanhas assim ajudam a perceber que exige outro tipo de doença — afirma.

Tratamento

A cefaleia em salvas não tem cura, mas pode ser tratada de três formas, todas somente no período da salva, ou seja, quando as crises estão ocorrendo. A primeira é preventivamente, começando a tomar remédio logo nos primeiros sintomas para não deixar a crise de dor forte acontecer. A segunda é justamente tratando a dor quando ela ocorrer, e a terceira é chamada de transição, para ajudar enquanto o tratamento preventivo ainda não está fazendo efeito. Para o alívio das dores, podem ser usados remédios injetáveis e em forma de spray nasal e oxigênio em uma dosagem específica.

— O tratamento é muito específico. O que é usado para a enxaqueca, por exemplo, não funciona. Por isso nós batalhamos muito na questão do diagnóstico. Ele é clínico e é até fácil de identificar. Mas para isso as pessoas têm que conhecer os sintomas — explica Nobre.

A neurologista acrescenta que a Sociedade Brasileira de Cefaleia tem profissionais especializados pelo Brasil inteiro, que podem ser encontrados no site.

— Em todas as cidades tem alguém filiado, e existem serviços públicos que também oferecem atendimento. A Abraces também dá esse suporte, isso é importante para ninguém se sentir desamparado — afirma Nobre.

Saiba diferenciar os tipos de dor de cabeça

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