Famosas saem em defesa de Claudia Leitte: "Cada mulher que se impõe nos liberta"

Foto: Reprodução/Instagram

Após ser assediada por Silvio Santos no palco do do SBT no último sábado (10), durante participação no Teleton, e vir a público falar sobre seu desconforto, Claudia Leitte recebeu apoio de artistas brasileiras. “Cada mulher que se impõe nos liberta”, escreveu a cantora Daniela Mercury, em defesa da colega de trabalho.

Alinne Moraes, Bruna Linzmeyer, Bruna Marquezine, Camila Pitanga, Fernanda Rodrigues, Fernanda Paes Leme, Julia Faria, Isis Valverde, Mariana Ximenes, Marina Person, Leandra Leal e Samara foram outras que se manifestaram em apoio.

“Quando em rede nacional durante um programa de foco social, um apresentador assedia uma cantora, podemos ver como essa violência é normalizada na nossa sociedade. Tão normalizada que muitas de nós não sabemos como reagir. A vergonha, o medo da retaliação e a exposição nos paralisa. Mas é preciso lembrar: ISSO NÃO É NORMAL. E o fato disso estar na TV, confortável o suficiente para fazer isso em frente de sua mulher e filha, só desencadeia um efeito devastador para outras milhões de mulheres que sofrem essa mesma violência diariamente. Veja bem, Silvio, roupa não é convite. Respeito com as nossas, respeito com todos. Não nos calaremos. Nos acolheremos”, diz o texto, compartilhado pelas famosas.

“É isso…não tem mais espaço pra isso. Não consegui nem ver o vídeo até o fim…fiquei nervosa e constrangida”, a atriz Fernanda Rodrigues.  

Após se manifestar nas redes sociais, Claudia também falou do seu desconforto durante participação no programa “Encontro”, da Globo.

“A gente está aqui de passagem mesmo, ninguém é eterno… A gente acha que é alguma coisa, que pode falar qualquer coisa. A gente tem que se preocupar com o que vai deixar. Não pode falar qualquer coisa, não pode permitir que o outro se sinta mal. A gente não pode se acostumar com isso”, disse. “A gente precisa entender que somos breves e que temos que deixar rastros de amor por onde estamos passando, agora”, acrescentou.

 

“Uma das coisas mais constrangedoras”

Engajada não somente no movimento negro, mas também em causas de empoderamento feminino, Samara Felippo usou a imagem de uma revista da década de 70 para falar sobre o machismo enraizado na sociedade.

“Essa revista ‘Do Homem’ é de 1978, ano em que nasci. E nada mudou! Por favor leiam com calma as manchetes. Não incomoda a você mulher? Não consegui ver todo o vídeo da @claudialeitte no Teleton. Me dá asco. Foi uma das coisas mais constrangedoras que ela deve ter passado na vida.

O que mais me dói são mulheres talentosas, seguras e incríveis muitas vezes serem vítimas de opressores como Silvio Santos. Isso precisa parar”, desabafou a atriz, que em outras ocasiões relatou como já foi vítima dessa indústria que sexualiza mulheres.

“Cresci sentada na sala da minha casa assistindo Silvio Santos exercer elegantemente seu machismo e racismo travestido em forma de piada. Cresci assistindo os ‘Domingos Legais’ com suas ‘banheiras’ e chacretes molhadas e nuas nos queijos. Cresci vendo o corpo da mulher ser oprimido, sexualizado e culpado ao mesmo tempo. Que loucura. Também assisti a outras emissoras claro, não existia Netflix. Por isso, até hoje foco no trabalho de desconstruir o que isso reverberou dentro de mim enquanto menina e mulher”, continuou Samara.

“Claudia poderia ter ali esfregado na cara daquele senhor o machismo desenfreado, mas foi elegante e meiga. Tentou de forma ‘amigável’ e respeitosa se esquivar. Enquanto era assistida pela filha dele, esposa (que pareciam incrédulas ou não) e por uma plateia inteira feminina que ria, talvez de nervoso ou talvez por ser um ‘costume'”, escreveu a atriz, tentando mais uma vez desconstruir o que a população brasileira tende a naturalizar.

“A idade não justifica. A roupa muito menos. Nada justifica”

A atriz e digital influencer Julia Faria também fez um texto forte em seu Instagram, no qual condenou a atitude de Silvio.

“Assisti esse vídeo três vezes porque não estava acreditando no que estava vendo. Fiquei enojada. Com nó na garganta. No peito. A vontade era de sentar com esse senhor para explicar premissas básicas da nossa existência. Um evento que tem como objetivo ‘fazer o bem’ foi transformado em palco para machismo. Ironia. Assédio. Abuso de poder. Grotesco abuso de poder.  Liguei pra Claudia na sequência para abraçá-la. Tínhamos nos encontrado dias antes pra gravar pro canal e tudo que ela fez foi falar de amor. Amor com o próximo. Com o trabalho dela. Falamos mto de que único caminho nesse difícil mundo que vivemos é o amor e respeito”, contou Julia.

“Não me venha dizer que ela tem que responder pela loucura do outro. Não me venha dizer que ela deveria ter feito isso ou aquilo, o que você faria no lugar dela? Esse tipo de coisa a gente só sabe como reage quando passa. E se você, mulher, não se colocou no lugar dela enquanto assistia e não ficou engasgada, tem alguma coisa errada com você”, completou a atriz.

Julia ainda lembrou as palavras que disse para cantora. “Que a dor e constrangimento que ela está passando sirva de exemplo. Que a gente transforme em força. Que as milhares de mulheres que passam por isso diariamente encham o peito de ar pra reagir. Se defender. Se proteger. 
Isso não é normal. A idade não justifica. A roupa muito menos. Nada justifica.  Temos que nos unir, darmos as mãos, gritarmos alto não ao assédio. A violência. Termos que ter muito claro os nossos direitos como seres humanos. Seguirmos juntas. Nos acolher. Para, quem sabe um dia, a viva num mundo melhor”, finalizou a blogueira.