Famosas no Baile da Vogue evitam falar sobre ida de Regina Duarte ao governo

JÚLIA BARBON
***FOTO DE ARQUIVO*** BRASILIA, DF, BRASIL, 29-01-2019 - A atriz Regina Duarte fala com jornalistas ao sair do palácio do planalto após encontro com o presidente Jair Bolsonaro. Ela afirmou que aceitou o cargo de Secretária de Cultura. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Ninguém viu nem ouviu, e muito menos quer falar. A noite é de festa, e não de política, por isso perguntas sobre a colega Regina Duarte (agora secretária especial da Cultura de Bolsonaro) nada têm a ver com o glamour dos flashes e brilhos fantasiosos do Baile da Vogue.

“Hoje eu tô aqui pra falar de Carnaval”, se esquiva a apresentadora Patricia Poeta. “Ah, jura?! Você não vai fazer isso!”, responde à repórter a atriz Paolla Oliveira, em seguida virando as costas e sumindo de vista. Houve também quem ignorasse a questão alegando pressa, como Bruna Linzmeyer.

E ainda quem fugisse de forma mais polida. “Eu tô trabalhando tanto que não tô conseguindo elaborar uma resposta pra te dar”, diz Ísis Valverde, logo depois de Jéssica Ellen: “Menina, não tô acompanhando isso. Eu tô gravando todo dia, o dia inteiro”, desvia-se a professora da novela “Amor de Mãe”.

Já Cleo Pires optou por uma franzida de bochechas, num misto de cara de enjoo e de “não posso falar sobre isso”. “Não vou falar mal de nenhuma colega de trabalho minha. A Regina é uma mulher que eu respeito muito, conheço desde que eu nasci, não concordo com certas escolhas, e é isso”, previne-se.

Enquanto isso, mulheres se repuxam daqui e dali para conseguir subir as escadas do tapete vermelho (sem tapete) dentro de seus vestidos de pedras brilhantes e saias longuíssimas, e ainda equilibrando as tiaras de Carnaval que às vezes chegam perto de um metro de altura.

Uma das únicas que encarou a questão sobre Regina Duarte foi Xuxa, mas também sem tomar partido. “É muita leviandade a gente já começar a levantar poeira falando que não vai dar certo ou que vai dar muito certo. Acho que a gente tem que esperar. Só não gostaria de estar em uma daquelas fotos [que Regina postou de artistas apoiadores].”

Outra que respondeu foi Giovanna Nader, consultora de moda sustentável e esposa de Gregório Duvivier. “Ridículo [a Regina na secretaria]”, diz ela. “Ah por que, né? É uma pessoa que tem total apoio do governo”, desenvolve, sustentando um chapéu-colagem de embalagens plásticas na cabeça em conjunto com a placa “Plástico boycott”.

A essa altura os mais famosos já estavam longe do grande metrô da Sé que se formava no lounge e num dos corredores do Copacabana Palace, hotel da zona sul do Rio que pela primeira vez abrigou o baile, tradicionalmente paulistano. São mais de 2.500 pessoas, a grande maioria convidada.

A escolha das terras (e águas) cariocas agrada a todos, considerando que o líquido servido é mineral. “Tamo aí, né, sobrevivendo. Essa é a vida do carioca. É daí pra mais”, reclama a atriz Camila Queiroz sobre a água com geosmina, em coro com o esposo Klebber Toledo, que se diz muito envolvido com a causa. “Se eu for falar de água eu vou ter que falar de saneamento”, ele se estende.

A opção pelo Rio só não agrada por completo a global Fabiana Karla. “Era melhor que fosse em São Paulo, que o povo tem mais traquejo”, ela vira para trás para comentar com os amigos ao ouvir o terceiro copo quebrando em poucos minutos.

A pegada carioca também reflete no palco. Teve bateria da Grande Rio, bateria da Mangueira e até o verso do Carnaval deste ano sobre um “messias de arma na mão” —além dos shows de Ludmilla e Ivete. Só não teve muito samba no pé.

Na pista, um dos desconhecidos que não dançava explorava a combinação do black tie com uma máscara de coronavírus. Tá com medo de pegar? “Não, é só uma brincadeira que fiz mesmo”, responde, aos risos.

Lá embaixo, curvando os pescoços em direção à varanda de um dos hotéis mais famosos do país, um grupo de curiosos se intriga. “É ela?”, perguntam, olhando para uma loira qualquer apoiada no parapeito.