Faltam insumos para casos graves de Covid-19 em mais de 84% dos estados brasileiros

João de Mari
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Há relatos de hospitais tendo que recusar pacientes e médicos usando morfina em substituição aos medicamentos apropriados (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)
Há relatos de hospitais tendo que recusar pacientes e médicos usando morfina em substituição aos medicamentos apropriados (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)

Faltam insumos para atendimento de casos graves do novo coronavírus em mais de 84% dos estados brasileiros e o Distrito Federal. Segundo levantamento do Uol, dos 26 estados do Brasil, 22 deles estão com seus estoques de medicamentos para intubação de pacientes graves no vermelho.

O levantamento usou dados de 1.500 hospitais de referência para o tratamento da Covid-19 tanto da rede pública quanto privada, até o dia 9 de agosto. A classificação por cores vem sedo utilizada em estados para definir a duração dos estoques de medicamentos nos hospitais.

O vermelho, por exemplo, significa que o estado têm estoque de duração para cinco dias ou menos. Segundo Uol, outros três estados, Paraná, São Paulo e Espírito Santo, estão em amarelo. Ou seja, com uma cobertura prevista para até 15 dias. Minas Gerais é o único estado que não haveria emergências com insumos.

De acordo com o Uol, a lista de remédios em falta inclui 22 sedativos, anestésicos, analgésicos e bloqueadores neuromusculares, o chamado "kit intubação”. Esses insumos são usados em pacientes que precisam de máquinas para respirar com o objetivo de não acordarem ou sentirem dor quando intubados.

Por esse motivo, segundo o jornal, há relatos de hospitais tendo que recusar pacientes e médicos usando morfina em substituição aos medicamentos apropriados.

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A responsabilidade pela aquisição e distribuição destes medicamentos é dos estados e municípios, que alegam dificuldades em comprar dos fabricantes e sobrepreço. Após a pandemia, a tarefa também passou a ser do Ministério da Saúde, que atua em auxílio às unidades da federação.

No entanto, o órgão parece ter direcionado suas aquisições de medicamentos para a cloroquina. Levantamento mostrou que enquanto faltam insumos para o “kit intubação”, sobra cloroquina, medicamento fortemente defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e ainda sem qualquer comprovação de eficácia para casos da Covid-19.

O Ministério da Saúde tem hoje 4 milhões de comprimidos de cloroquina e sua derivada, a hidroxicloroquina, estocados e já distribuiu outros 5 milhões para todo o país. Em março de 2020, a pasta adquiriu 3 milhões de comprimidos de cloroquina produzidos pelo Laboratório Químico Farmacêutico do Exército.

Até a publicação dessa matéria, o Brasil registrou mais de 100 mil mortes pela Covid-19 e mais de 3 milhões de pessoas infectadas com o vírus.