Falcão e o Soldado Invernal assume papel político e coloca Marvel em outro patamar

Thiago Romariz
·2 minuto de leitura
Falcão e o Soldado Invernal. Foto: divulgação/Disney+
Falcão e o Soldado Invernal. Foto: divulgação/Disney+

Não é como se fosse um manifesto ou aquele roteiro para estudar nas aulas de história, mas Falcão e o Soldado Invernal coloca o Marvel Studios em outro patamar no entretenimento atual. A jornada de Sam Wilson para se entender no mundo sem o Capitão América toca mais em temas reais do que fictícios. O legado do escudo questiona a construção do símbolo por meio de um passado que negligencia segregação e desigualdade, além de pontuar o racismo incrustado em toda sociedade, inclusive em uma formada por heróis infalíveis, como a da Marvel.

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É verdade também que faltam momentos emblemáticos na ação de Falcão e o Soldado Invernal. As boas sequências protagonizadas por John Walker e a dupla principal não apagam a falta de coordenação no clímax que, teoricamente, colocaria o mundo numa situação de completo caos político - pra ser mais direto, as lutas aqui parecem um bando de gente se empurrando com força. E muito disso vem da opção do roteiro de deixar todas as pontas soltas para serem amarradas em 45 minutos do último episódio.

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Os desfechos são satisfatórios, as jornadas se concluem dentro do que foi proposto lá no início, mas invariavelmente há desequilíbrio entre os personagens. Karli e os Apátridas nunca exploram ou demonstram a real força do movimento que representam, Zemo é deixado de lado como um gênio incompreendido, John Walker se torna um peão na mão de uma nova vilã, Sharon revela o óbvio papel da agente dupla e Bucky se contenta com o papel de coadjuvante ansioso por uma segunda temporada.

A cereja do bolo é Sam, que mesmo com um discurso exagerado quando assume de vez o manto, se põe como pilar dos temas que a série se propôs a discutir. A Marvel tornou a negação do escudo em motivo para discutir problemas vigentes no nosso mundo, um mundo que viu o Black Lives Matter surgir agora, que nesta mesma semana viu a Justiça condenar os assassinos de George Floyd. É digna de nota a coragem de um estúdio como a Disney, famosa por se isentar de tudo, assumir a posição política em uma série como essa.

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E encerrar a história com o levantar de uma estátua de Isaiah Bradley, o primeiro super soldado, é tão emblemático quanto a morte de Killmonger em Pantera Negra, se não mais impactante pelos tempos em que vivemos. Todo o embate ideológico de Isaiah e Sam esconde, no meio da fantasia do soro e de uniformes, o mais importante papel do entretenimento: discutir nossa vida, nosso passado e nossa história pelos heróis e vilões que nos encantam.

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*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.