Falar sobre emoções ajuda a superar angústia e acalma o coração

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Converse e se liberte (Foto: Getty Images)
Converse e se liberte (Foto: Getty Images)

Por Ava Freitas

A pandemia do novo coronavírus acrescentou mais alguns itens na nossa lista diária de preocupações. Medo de morrer, de não ter dinheiro, impossibilidade de estar com quem gostamos... Mas uma atitude simples pode ajudar você a lidar com a situação: falar sobre as próprias emoções.

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“Quando a gente ouve as próprias ideias, é como se saíssemos da nossa realidade psíquica para uma realidade compartilhada. Quando o problema está apenas dentro de nós, é como se ele se enganchasse em todas as outras questões que carregamos, tornando tudo mais difícil”, afirma a historiadora e psicanalista Selma Pato Vila.

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Por que você acha que tantas pessoas engatam conversas em filas de banco e em táxis? Para Selma, é pelo conforto “gigante”, nas palavras de Selma, que ser ouvido traz.

A força dos exemplos

Existem profissionais especializados nessa escuta – como psicólogos e psicanalistas –, mas, se essa solução não cabe no seu momento, abra o coração para algum amigo. O interlocutor pode já ter vivido ou estar vivendo algo parecido. E, mesmo que não tenha, o conforto virá simplesmente de colocar a angústia para fora. “A gente se sente apaziguado, como se o problema deixasse de ser apenas nosso”, diz a especialista.

Perceber que o que nos preocupa já ocorreu em outros tempos também ajuda a nos apaziguar. Não é a primeira vez que a humanidade passa por um desafio como o do coronavírus. Logo não faltam referências para nos basearmos. “Tem sempre alguém que tem um avô ou bisavô que enfrentou uma guerra. Temos registros do que ocorreu na peste negra. Mas não podemos esquecer que temos recursos que a humanidade nunca teve antes, para encontrar uma vacina, remédios”, afirma a psicanalista.

Escolha do interlocutor

Agora muita atenção na hora de escolher quem vai ouvir você. De acordo com Selma, você precisa pensar se quer alguém que mostre um outro lado da situação ou que o mantenha no mesmo lugar de angústia em que você já se encontra. “Tem quem estique o medo, quem goste de tornar tudo mais dolorido. Tem quem negue a existência de algo para se preocupar, como o primeiro ministro inglês e o presidente dos Estados Unidos. Tem quem diminua a realidade chamando de gripinha, porque não aguenta lidar com que está acontecendo”, explica.

E não se iluda: é você quem escolhe o interlocutor, não o contrário, ainda que inconscientemente. Por isso, antes de procurar alguém, avalie o que você espera da conversa que está por vir.

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