Fafá de Belém sobre eleição de Jair Bosonaro: "Esse pecado não cometi"

Fafá de Belém está mais política no álbum 'Humana' (reprodução / instagram @fafadebelem)

Fafá de Belém está mais política em seu novo álbum, ‘Humana’, e comentou sobre a eleição de Jair Bolsonaro no pleito de 2018.

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A cantora conversou com a revista ‘Veja’ sobre o trabalho e se eximiu da culpa de Jair Bolsonaro estar na presidência. “Muita gente acha que votei no Bolsonaro. Esse pecado eu não cometi. Justifiquei meu voto, porque estava em Belém e moro em São Paulo. Nunca fui de direita, e o PT foi um partido que todos nós um dia abraçamos. Comemoramos no meio da rua a vitória do Lula. Mas essa fase foi tão complicada… (Os governos petistas) acabaram com a Petrobras. A esquerda passou por um processo de autofagia. Aí veio uma proposta completamente contrária. Somos hoje um povo separado pela ideologia.”

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Ditadura Militar

Uma das faixas do trabalho é uma regravação de ‘Revelação’, de Fagner, originalmente gravada nos anos 70, em plena ditadura militar. “Ela se conecta muito com o tempo atual, em que as pessoas defendem bandeiras sem saber direito o que significam e cobram um posicionamento dos outros. Fiquei quieta durante o impeachment da Dilma (Rousseff) e o governo do (Michel) Temer, apesar de ter sido cobrada pela direita e pela esquerda. E vou continuar na minha agora.”

País dividido

Avaliando a polaridade que o país está dividido, ela avalia: “A polarização nos separou como se fôssemos dois povos distintos. Canto ‘Toda Forma de Amor’, do Lulu Santos, porque a gente deve começar a olhar com mais simpatia um para o outro. Político se troca, religião cada um defende a sua, mas permanecemos um povo colorido e sorridente. Não sou de panelas, não sou de grupos. Eu quero ser livre.”

História

Fafá também comenta como o preconceito político já afetou seu trabalho. “A esquerda e a direita torceram o nariz quando apoiei Tancredo Neves para presidente, em 1984. O (colunista) Zózimo Barrozo do Amaral (1941-1997) falou tão mal de mim que eu queria pegá-lo de porrada. Fui impedida pelo Armando Nogueira (ex-jornalista da Globo, morto em 2010). Mas quando o (presidente) Fernando Collor sofreu impeachment, em 1992, eu e Armando fomos comemorar na casa do Roberto Irineu Marinho (sócio da Globo). Quando entrei, dei de cara com o Zózimo, que me perguntou se eu estava bem. Disse que sim porque ele não tinha conseguido acabar comigo. Terminou com o Zózimo me chamando de rancorosa e eu dizendo que ia quebrar a cara dele. Se não tivesse a turma do deixa-disso, eu ia mesmo bater no cara.”