Fafá de Belém diz ter lembrado das Diretas Já ao ver ato de torcedores a favor da democracia

KARINA MATIAS
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 16.02.2020 - Cantora Fafá de Belém no desfile oficial do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, no Carnaval de São Paulo. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A cantora Fafá de Belém, 63, diz que ficou muito emocionada com o ato de diferentes torcidas dos quatro grandes clubes de São Paulo (Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo) a favor da democracia, realizado neste domingo (31), na avenida Paulista, em São Paulo. Ela afirma que ao ver a manifestação se lembrou do movimento das Diretas Já, quando puxou comícios ao lado do jogador Sócrates (1954-2011), então um dos líderes da Democracia Corintiana, e do locutor Osmar Santos.

"Estar vivo é um ato político [...] Eu fiquei muito emocionada, porque começa a existir uma reação legítima de um povo que é o povo que toca esse país...As elites se unem aqui, ali e lá, isso em qualquer sociedade...mas não venha falar em nome de um povo que vocês não representam, para mim esse foi o grito de ontem [domingo, 31]."

Para Fafá de Belém, a intolerância no Brasil vinha numa crescente e chegou a um patamar insuportável. Mesmo sem citar o nome do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ela criticou os frequentes protestos realizados por apoiadores do seu governo que pedem o fim do isolamento social, e as agressões e ofensas feitas por fanáticos contra profissionais de saúde e jornalistas. No último dia 35, A Folha de S.Paulo e outros veículos de comunicação decidiram suspender a cobertura jornalística na porta do Palácio da Alvorada temporariamente até que o Palácio do Planalto garanta a segurança dos profissionais de imprensa.

"Defenda o seu segmento, o seu pensamento, mas não me ofenda...defenda a sua bandeira, mas não me persiga. Perseguir não vai dar certo, porque a força do povo é muito maior que qualquer grito que venha de cima para baixo", disse.

Ela ainda afirmou que espera que a situação seja pacificada e que o momento é de união na luta contra o coronavírus. "A democracia é para todos, o estado democrático é a convivência entre todos. Não vem acabar com a minha democracia através da sua intolerância, porque aí chega uma hora que não dá. Por favor, vamos refletir e vamos entender que o país é feito de muitos olhares, mas todos têm que ser ouvidos."

"Vamos esquecer diferenças políticas e vamos brigar contra o vírus e por esse país que é maravilhoso, plural, e por esse povo que é absolutamente sensacional. Respeito é bom e a gente gosta", acrescenta ela.

TORCIDAS UNIDAS

A manifestação das torcidas, que começou pacífica, acabou em confronto com a Polícia Militar (PM) e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O ato deste domingo começou por volta das 11h30, com gritos contra Bolsonaro inspirados em cânticos dos estádios. Os manifestantes levavam faixas pró-democracia. A maioria dos presentes era de torcedores do Corinthians, mas um grupo de fãs do Palmeiras, autodenominados antifascistas, também esteve no local. Havia ainda, em menor número, são-paulinos e santistas.

A Polícia Militar criou um cordão humano para tentar isolar um grupo de manifestantes pró-Bolsonaro dos torcedores, mas houve pelo menos dois picos de confusão após discussões entre as partes.

A tropa de choque da PM utilizou bombas de gás e balas de borracha para dispersar o movimento de torcedores. Estes revidaram com arremessos de pedras, lixeiras e rojões. Pelas imagens disponíveis até o momento, não foi possível identificar confronto entre a polícia e o grupo bolsonarista.