Facebook vai pagar por conteúdo de veículos de mídia no Reino Unido

O Globo
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MENLO PARK - O Facebook anunciou nesta terça-feira que passará a pagar a veículos de mídia do Reino Unido para exibir seu artigos em suas plataformas on-line.

Embora o Facebook esteja se recusando a dizer quanto dinheiro espera pagar como parte do esquema, o jornal britânico The Guardian relata que alguns editores esperam ganhar milhões de libras por ano com o serviço.

Num anúncio em seu próprio site, a rede social de Mark Zuckerberg explica que a nova estratégia abrange o lançamento em janeiro do Facebook News no país, um espaço dedicado "às notícias nacionais e locais".

"Com o Facebook News, vamos pagar aos editores por conteúdo que ainda não está na plataforma, ajudar os editores a alcançar novos públicos e trazer mais oportunidades de publicidade e assinatura. O primeiro grupo de editores apresentados no Facebook News no Reino Unido inclui Archant, Condé Nast, The Economist, ESI Media, Guardian Media Group, Hearst, Iliffe, JPI Media, Midland News Association, Reach, STV e outros", explica o texto.

Segundo o Facebook, as editoras "são o lar de centenas das marcas de notícias nacionais e locais mais conhecidas e amadas do Reino Unido, incluindo The Economist, The Guardian, The Independent, The London Evening Standard, Liverpool Echo, Manchester Evening News, The Mirror, The Scotsman, STV e o Yorkshire Post, entre outros."

O Facebook News também incluirá conteúdo de marcas de estilo de vida como Red, Harpers, Cosmopolitan, Wired, GQ, Glamour, Vogue e Tatler. "Esperamos que muitos outros parceiros se juntem antes do lançamento", diz a gigante de internet.

Segundo o comunicado, o Facebook News oferece uma mistura de notícias importantes com curadoria e personalizadas pela rede social. "Os leitores veem as principais manchetes e histórias do dia junto com as notícias personalizadas de acordo com seus interesses".

Em meados deste ano, a Austrália apresentou um projeto de lei determinando que plataformas de tecnologia como Facebook e Google compartilhem os ganhos que tiveram com a exibição de notícias com os veículos que as produziram. E, recentemente, O Google assinou acordos de direitos autorais com seis jornais e revistas franceses, incluindo Le Monde e Le Figaro.

O Facebook News foi lançado nos EUA no início deste ano. A empresa afirma que 95% do tráfego que os editores obtiveram por meio do serviço veio de novos públicos.

E a novidade chega aos britânicos no momento em que o governo do Reino Unido se prepara para aumentar as restrições às plataformas on-line no país, com projetos legislativos conhecidos como Digital Services Act (DSA) e Digital Markets Act (DMA), que provavelmente afetarão grandes empresas dos Estados Unidos, como Google, Apple, Amazon, Facebook e Microsoft.

O DSA forçará as empresas de tecnologia a explicarem como funcionam seus algoritmos e obrigará a abertura de seus arquivos de publicidade para reguladores e pesquisadores. As companhias também terão que fazer mais para combater discursos de ódio, conteúdo prejudicial e produtos falsificados em suas plataformas. O DMA mira as empresas digitais com uma lista de diretrizes, como o compartilhamento de certos tipos de dados com rivais e reguladores.