Busca por mandantes da facada e críticas à imprensa: relembre semana de Bolsonaro

Foto: REUTERS/Adriano Machado

Por Renato C. Abreu

Passada a conturbada viagem aos Estados Unidos, onde discursou na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), Jair Bolsonaro (PSL) retornou ao Brasil com um ar triunfante. O presidente, entretanto, não recebeu apoio por parte da imprensa e deu início na semana fazendo um ataque aos jornais.

Na porta do Palácio do Planalto na segunda-feira (30), conversou com jornalistas sobre sua participação no evento. Segundo Bolsonaro, ele só conversará com os profissionais da imprensa após a publicação de uma “matéria real” sobre sua participação na assembleia da ONU.

"Imprensa, gosto muito de vocês. Mas tudo é deturpado. Quando fizerem uma matéria real do que aconteceu lá na ONU, eu dou entrevista", disse o presidente que ainda postou em seu Twitter um vídeo mostrando sua viagem e seu discurso.

Já na terça-feira (1), destacou o avanço do turismo na economia do Brasil. Segundo o presidente, o setor movimentou mais de R$ 20 bilhões em julho deste ano.

“E gerou mais de 25 mil empregos em relação ao mesmo período de 2018 (fonte: CNC). O Brasil pode ir muito mais longe, desenvolvendo a noção da importância do envolvimento social com a preservação ambiental”, explicou.

Bolsonaro deu início à uma nova polêmica na quarta-feira (2). O presidente destacou o trabalho do ministro da Justiça Sergio Moro no combate à criminalidade em algumas cidades do Brasil, utilizando a Força Nacional de Segurança no projeto Em Frente, Brasil.

“O projeto-piloto foi realizado nas cidades de Ananindeua (PA), Cariacica (ES), Goiânia (GO), Paulista (PE) e São José dos Pinhais (PR) e contou com trabalho conjunto das forças de segurança das esferas federal, estadual e municipal. Parabéns a todos pelo excelente trabalho”, comemorou Bolsonaro.

Entretanto, na quinta-feira (3), durante sua live semanal, o presidente fez uma nova ameaça, desta vez à cidade de Cariacica, uma das que receberam apoio da Força Nacional de Segurança. Isso porque foi criado um disque-denúncia para que as pessoas relatem eventuais abusos por parte das autoridades.



“Se é o que estou pensando, vou falar com Moro, se começarem a denunciar policiais, a gente troca de município”, afirmou o presidente. O disque-denúncia foi idealizado pelo prefeito da cidade, Geraldo Luzia de Oliveira Junior, o Juninho, que liberou a linha 162 da Ouvidoria Municipal para os cidadãos relatarem excessos dos agentes.

“Não podemos expor os nossos agentes de segurança a serem submetidos ao disque-denúncia que, na maioria das vezes, é mentira o disque-denúncia, são os bons policiais que são denunciados”, continuou Bolsonaro. Pretendemos continuar o plano, mas se tiver avalanche de denúncias, grande parte falsas contra homens da Força Nacional, vou sugerir para o Moro, a gente vai chegar num comum acordo, sair de Cariacica”, encerrou.

Ainda na live, citou a necessidade de encontrar os mandantes do ataque que sofreu durante a campanha presidencial em Juiz de Fora (MG). De acordo com Bolsonaro, a Polícia Federal possui informações de que o advogado do autor do crime, Adélio Bispo, “agiu de modo errado”.

Na sexta-feira (4), Bolsonaro voltou a citar o nome do agressor. Desta vez, apareceu em um vídeo fazendo exercícios após a quarta operação realizada na região do abdômen, atingida pela facada.

“Com a permissão de Deus e o apoio de todos, seguimos firmes na missão de colocar o Brasil no lugar destaque que merece. Bom fds a todos”, encerrou o presidente.