Férias em Família quer refletir 'família polarizada de 2020' por meio da empatia na 2ª temporada

BEATRIZ VILANOVA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Cafu (Luís Lobianco), Duda (Sulivã Bispo), Tia Iraci (Cristina Pereira), Sandrão (Luciana Paes) e Bel (Clara Tiezzi) tomaram um ônibus de Lisboa para Sevilha para darem vida aos novos episódios do Férias em Família. A série do Multishow estreia sua 2ª temporada nesta segunda-feira (10), com novas histórias em um cenário espanhol que vai de Madri e Barcelona até Sevilha e a Cidade Histórica de Arcos de La Frontera.  

"Por mais que sejam vizinhos, Portugal e Espanha são muito diferentes. Quando você cruza a fronteira, é imediata a mudança -e isso se reflete nos personagens, que estarão mais maduros e descolados", conta Lobianco em entrevista ao à reportagem. O ator adianta que Cafu, seu personagem, finalmente supera o medo de viajar e será o mais empolgado com o novo destino, aflorando também seu lado apaixonado.

A identificação dos espectadores com os personagens será quase que instantânea, diz ele, ainda mais por retratarem a diversidade dentro da família -Cafu criou a filha sem ajuda da mãe da criança, e com sua irmã. "É isso que queríamos buscar: a família de 2020", afirma. As situações cômicas dos dez novos episódios serão criadas especialmente em cima do "jeito brasileiro de ser" fora de seu país. "É um programa de viagem, de humor e de família, mas estamos falando de mostrar novas culturas e como o brasileiro se comporta em outros contextos."

Pensando em sua própria experiência pela Europa, o ator enfatiza que os portugueses são muito parecidos com os brasileiros, uma vez que são mais afetivos, carinhosos e sentimentais. Já na Espanha, as pessoas são mais diretas, o que pode assustar os brasileiros em um primeiro momento. "Mas é cultural e, no final, nos receberam com muita dedicação", lembra ele.

Para Lobianco, é importante que a comédia exista em meio a tantas notícias negativas no dia a dia. "A gente abre o jornal e é desesperador. Temos o Coronavírus, desastres pelas chuvas em Minas, esgoto no Rio de Janeiro... Se você não tiver uma janela para respirar, ou pelo menos criticar aquilo, você se reprime de vez. E o riso é essa janela: quando a pessoa ri, ela está fisicamente reagindo".

O humorista afirma ainda que o seriado busca falar sobre empatia e lidar com as diferenças em um momento de tanta polarização, que já fez com que várias famílias rompessem relações. Frente às mudanças no humor, ele afirma que o politicamente correto é "muito bem-vindo".

"A gente tem hoje discursos muito reacionários, pensamentos que foram criados durante muitos anos em cima de homofobia, racismo e misoginia, e estamos desconstruindo isso. Ainda bem. Não é mais engraçado rir do gay se dando mal; quem faz um humor de qualidade não vai sentir falta disso", diz. "O humor pode acontecer de várias maneiras, e a que a gente menos precisa é a preconceituosa".

Fazendo um paralelo com os filmes de comédia nacionais, que têm ganhado cada vez mais espaço -"Minha Mãe É uma Peça 3" bateu recentemente o recorde de maior bilheteria nacional-, Lobianco afirma que são necessárias forças de incentivo para a fomentação de séries como essa, já que "é impossível fazer milagre".

Segundo ele, muitas boas produções brasileiras apareceram nos últimos anos, e isso poderia resultar num "boom" cultural com a criação de políticas públicas. "A ideia de serie é relativamente nova no Brasil, mas acho que a gente está investigando bem".