Exposição no MuBE mistura militância ambientalista e arte com vídeos de ONGs

MANOELLA SMITH

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um vídeo da Amazônia em chamas é o que recebe os visitantes na exposição "Ambiental: Arte e Movimentos", no Museu Brasileiro de Escultura e Ecologia, o MuBE, em São Paulo. Curador-chefe, Cauê Alves diz que, com as imagens, o Greenpeace "não pretende fazer obra de arte". Esse é, no entanto, o registro que introduz a mostra. 

Em seguida, pequenas telas exibem vídeos institucionais de outras ONGs que terminam com os mesmos pedidos: ajude, doe, participe. 

Entre as obras, duas pintura dos anos 1950 do modernista José Pancetti saltam à vista retratando duas praias desertas e paradisíacas envoltas numa tradicional moldura de madeira.

Paisagens bem diferentes daquelas de um mundo em ruínas dos vídeos. 

Os contrastes -preservado e destruído, documental e artístico- estão presentes ao longo da exposição como uma forma de os movimentos ambientais se alimentarem da poética dos artistas. E foi a maneira que Alves encontrou para "chamar a atenção e buscar inserção dessas organizações em novos lugares".  

Ele destaca que, em 1986, no mesmo ano em que o terreno onde hoje é o MuBE foi desapropriado e cedido à construção do museu, a Fundação SOS Mata Atlântica foi criada. "Foi no período em que os movimentos socioambientais começaram a ganhar força no Brasil", afirma. Marcia Hirota, diretora-executiva da organização, fez a curadoria da mostra com Alves.

A curadoria da dupla partiu de três eixos -terra, água e ar. As 22 obras expostas aparecem em diferentes formatos: pintura, fotografia e escultura. O israelense Yiftah Peled apresenta 19 cubos de acrílico com argila contaminada do rio Doce -mesmo número de pessoas mortas com o rompimento da barragem em Mariana, em 2015. 

O fotógrafo Cássio Vasconcelos apresenta a série "Viagem Pitoresca pelo Brasil". Suas fotos recebem um tratamento que dá às imagens a aparência de gravuras e transmitem uma sensação de nostalgia

de uma floresta ainda intacta. 

Eduardo Srur se debruça sobre a quantidade de lixo produzido nos centros urbanos com  "Caçamba". Já conhecido por suas intervenções na cidade, ele apresenta uma escultura que tem forma e tamanho de uma caçamba de entulho, mas que é vazada, feita somente por linhas brancas de metal em seu contorno. 

Ao lado de Srur, há ainda trabalhos de Luiz Zerbini, Arthur Lescher e Hugo França. Planejada há um ano, a exposição foi atualizada, segundo Cauê Alves. Ele se refere à linha montada na entrada do museu, que começa com a viagem de Charles Darwin ao Brasil no século 19, mas termina em agosto de 2019, quando uma repentina escuridão tomou conta dos céus de São Paulo por volta das 15h.  

Entre manifestação ou arte, a mostra se encaixa nos dois, diz Alvez, que não esconde "uma vontade de

trazer questões urgentes".