Exonerado por Mario Frias diz que gestão foi dominada por 'olavismo cultural'

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*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  10-11-2020 - O secretário de cultura Mário Frias. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 10-11-2020 - O secretário de cultura Mário Frias. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Exonerado da Secretaria Especial da Cultura, o ex-secretário Maurício Noblat Waissman afirmou que a gestão da área pelo governo federal foi dominada por pensamentos ligados aos do escritor Olavo de Carvalho, o guru do presidente Bolsonaro.

Quem assina a exoneração é Ciro Nogueira Lima Filho, ministro do Turismo, pasta sob a qual está a secretaria. Quem comanda a Cultura, porém, é Mario Frias, ex-galã teen de "Malhação", e André Porciuncula, um ex-policial militar que, mesmo sem experiência na área, está à frente da Lei Rouanet.

A exoneração de Waissman ocorreu na última quinta-feira, mas foi publicada no Diário Oficial da União somente nesta terça (31). Waissman afirma que sua saída se deve a discordâncias ideológicas com o restante da equipe.

"Não tenho esta visão de eterno confronto com o meio artístico e de enxergar o artista, do famoso ao mais humilde, que luta pelo seu sustento, como alguém 'atrás de mamata'. Não concordo com transformar o setor artístico num espantalho, politizando-o, por ter havido falhas em períodos anteriores", diz.

O ex-secretário, que afirma ser artista plástico, publicitário e advogado, diz que sua atuação estava ligada a obras das Pracinhas da Cultura, espaços com bibliotecas, cineteatros e quadras esportivas. No dia a dia, porém, ele conta que participava de reuniões com o restante da equipe.

"Por ser artista, não compartilho do olavismo cultural, que é o motor na atual gestão. Tive contato com vídeos e livros do Olavo de Carvalho anos atrás, mas, quando me aprofundei nos dois últimos anos, tanto sobre seu trabalho como sobre os autores recomendados por ele, vi que não me identificava", afirma.

Waissman não chegou a completar um ano no cargo. Ele havia sido nomeado em outubro do ano passado por Mario Frias, no mesmo período em que Porciuncula foi contratado.

"Meu poder de opinião no chamamento para o diálogo com o setor era minoritário", diz. "Vozes de alas ideológicas tiveram mais peso do que minha visão. Eu fui ingênuo em achar que poderia realizar algo diferente."

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