Ex-estrategista de Trump é banido do Twitter após sugerir decapitar funcionários do governo

Redação Notícias
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President Donald Trump's former chief strategist Steve Bannon speaks with reporters after pleading not guilty to charges that he ripped off donors to an online fundraising scheme to build a southern border wall, Thursday, Aug. 20, 2020, in New York. (AP Photo/Eduardo Munoz Alvarez)
Em agosto, Bannon foi preso sob a acusação de fraude na campanha para construção de um muro na fronteira entre EUA e México, uma promessa de Trump. (AP Photo/Eduardo Munoz Alvarez)

Steve Bannon, ex-estrategista da campanha vitoriosa de Donald Trump em 2016, foi banido do Twitter nesta quinta-feira (5) depois de sugerir que autoridades do governo dos Estados Unidos fossem decapitados por serem desleais ao presidente.

No Brasil, Steve Bannon ficou conhecido por ter contato próximo com a família Bolsonaro. Além de Bannon ter declarado apoio a Jair Bolsonaro (sem partido) na eleição de 2018, ele manteve relações com Eduardo Bolsonaro. Os dois se encontraram e Eduardo postou uma foto com Bannon nas redes sociais.

Em um vídeo publicado em seus perfis no Twitter, Facebook e Youtube, Bannon dirigiu ataques ao médico Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas e conselheiro da Casa Branca há décadas, e a Christopher Wray, diretor do FBI (polícia federal americana).

Depois de dizer que Trump já ganhou a eleição --embora a disputa pela Presidência ainda esteja em jogo, com o democrata Joe Biden como favorito--, Bannon afirmou que o republicano deveria demitir Fauci e Wray.

"Eu colocaria as cabeças [de Fauci e Wray] em estacas, certo? Eu as colocaria nos dois cantos da Casa Branca para que sirvam de aviso aos burocratas federais. Ou vocês seguem o programa [do governo Trump] ou vão embora", disse ele, durante seu programa War Room (sala de guerra) transmitido ao vivo nas redes.

A gravação ficou disponível por cerca de 10 horas e teve quase 200 mil visualizações quando o Facebook tirou o conteúdo do ar, ainda na quinta. No mesmo dia, o Youtube também removeu o conteúdo, assim como plataforma de envio de newsletters MailChimp, usada por Bannon para divulgar o podcast, que suspendeu a conta do estrategista americano.

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No vídeo, Bannon afirma que iria além da demissão, mas que Trump não o faria porque é "um homem de bom coração". Na sequência, a fala de Jack Maxey, que também participa do programa, anula possíveis interpretações de que Bannon poderia estar usando uma metáfora.

Maxey fez uma referência à Revolução Americana, quando as pessoas consideradas contrárias ao movimento que buscava a independência dos EUA eram executadas. "Aquelas pessoas eram enforcadas. É isso o que costumávamos fazer com traidores."

Em agosto, Bannon foi preso sob a acusação de ter participado de uma fraude numa campanha virtual de doações relacionada à construção de um muro na fronteira entre EUA e México, uma promessa de Trump. Bannon foi solto após seus advogados fecharem um acordo para libertá-lo em troca de uma fiança de US$ 5 milhões (R$ 27,7 milhões ).

O comentário de Bannon vem na esteira de outros apoiadores e do próprio Trump, que vêm tentando desacreditar a eleição baseado em alegações de fraude sem comprovação.

"Se você contar os votos legais, eu ganho facilmente", disse o presidente na Casa Branca na noite desta quinta-feira.

Alguns membros do partido do presidente começam a criticar publicamente as alegações de fraude. "Não há defesa para os comentários do presidente nesta noite minando nosso processo democrático", escreveu Larry Logan, governador republicano de Maryland no Twitter.

Também na quinta, o Facebook retirou do ar uma página de grupos trumpistas, chamada Stop the Steal (pare com o roubo). A rede social disse que os membros publicavam mensagens violentas e informações falsas de que os democratas estariam roubando as eleições.

da Folhapress