Ex-chiquitita Elisa Veeck se destaca como âncora na CNN e relembra conselho de Boni

Ex-chiquitita Elisa Veeck se destaca como âncora na CNN (Foto: Reprodução/Instagram@elisaveeck)

Por Felipe Abílio (goabilio)

Elisa Veeck estreou há duas semanas na programação da CNN como aposta para ancorar o “Newsroom”, boletins da madrugada no canal de notícias. Não demorou, no entanto, para que suas aparições fossem se espalhando pela programação. Logo na primeira semana, a jornalista foi escalada para apresentar a programação especial sobre coronavírus, ficando no ar por cinco horas seguidas, na tarde de domingo.

Nesta segunda-feira (30), Elisa foi novamente realocada para apresentar o noticiário “Live”, que sofreu baixa com o afastamento de Phelipe Siani e Mari Palma, em quarentena sob suspeita de Covid-19.  

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“A experiência do domingo foi totalmente nova para mim. Mas quando você está na frente de uma câmera, apresentando um jornal, você entra em um modo ‘concentração total’. É lógico que passa um filme na cabeça. Quando entrei na faculdade, coloquei como meta chegar em um canal de notícias, e eu sempre soube que precisava me preparar para isso. Seis anos depois estou na CNN. É extraordinário. Mas custou muita dedicação.”

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O rosto da Elisa já era bastante conhecido pelo público da região do Vale do Paraíba, em São Paulo, onde apresentou por três anos o jornal “Link Vanguarda”, da TV Vanguarda, afiliada da Rede Globo. Mas, para o resto do Brasil, a sensação de déjà vu ao ver a apresentadora no ar pode ser real. Ela interpretou Fran, uma das estrelas da primeira versão de “Chiquititas”, sucesso apresentado do SBT entre 1997 e 2000. 

“Todas vezes que alguém cita 'Chiquititas', é sempre acompanhado de amor, de saudade, de carinho. É interessante ver a reação das pessoas quando descobrem que eu me tornei jornalista. E mais: quando assistem ao jornal e, de repente, percebem que ‘a apresentadora é aquela menina da década de 90’.”

Em entrevista ao Yahoo!, a apresentadora abre o jogo sobre os novos desafios e fala sobre a relação de carinho que construiu com José Bonifácio, o Boni, famoso diretor de televisão e dono da Vanguarda.

Elisa Veeck e Boni (Foto: Reprodução/Instagram@elisaveeck)

Você era uma das principais apresentadoras da Vanguarda, que é uma emissora do Boni, um dos poderosos da Rede Globo. Ele tem fama de não gostar de perder para a concorrência. Como foi sua saída de lá?

Ele foi extraordinário. Foi compreensivo e entendeu o meu momento. O Boni viveu uma história intensa, de muitas mudanças e caminhos, e é responsável por boa parte daquilo que a gente entende como "padrão da TV" nacional. Receber uma mensagem dizendo “continuaremos te amando, não ficaremos chateados, apenas quero que você seja feliz" foi perfeita para eu entender que, sim, era o momento de me despedir daquela etapa e embarcar em uma nova.

Como surgiu o convite para integrar o elenco da CNN?

A própria CNN me procurou. Na nossa primeira conversa, perguntei como eles tinham chegado, estava curiosa. Eles disseram que passaram muito tempo pesquisando e analisando inúmeros profissionais, até conseguirem montar o elenco. Fiquei feliz por saber que, mesmo estando fora do circuito das capitais, que costuma ser mais visada, os meus novos colegas estavam dispostos a garimpar novos nomes por todo o Brasil.

Você era de uma emissora local no interior de São Paulo, como foi receber esse convite? 

Inicialmente, uma surpresa. Um "será? É hora de ir? É hora de voltar para a capital?" 

É claro que o nome CNN é muito sedutor, mas não era apenas isso que eu precisava. O que me tocou foi entrar na redação da TV, em São Paulo, na Paulista, e sentir o clima de uma equipe que estava trabalhando para colocar algo novo no ar. Os olhares, as palavras, o comprometimento, a maneira como ofereciam sorrisos, a vontade. 

Eu preciso trabalhar onde me sinta feliz. E senti que poderia ser feliz ali.

Sua estreia foi recente, há duas semanas. Sentiu alguma sensação diferente de outras estreias? Está mais tranquila depois do primeiro programa?

Ah, sim, muito mais! Quando você se envolve em uma estreia, é como se estivesse em uma montanha-russa e ela tivesse prestes a chegar na primeira descida, sabe? Você vai sentir frio na barriga, mas você também pode sentir muito prazer. No meu caso, mesmo que eu tenha controle do trabalho, ao vivo é ao vivo, né? O coração dá uma mexida, você fica um pouco vulnerável. Somos seres humanos, e é normal que esses sentimentos apareçam. Mas eu estava louca que esse momento passasse. Não gosto de ficar esperando muito. Agora é estabilizar o voo e seguir no fluxo de trabalho.

Elisa Veek na CNN (Foto: Reprodução/Instagram@elisaveeck)

Quando você percebeu que não era mais atriz e queria ser jornalista?

Me apaixonei. Foi isso que aconteceu. Já estava há mais de dez anos dedicada ao ofício de atriz, mas não me sentia completa, não conseguia ter segurança no meu trabalho. Sempre tinha que fazer outras coisas para dar conta. Um dia fui convidada para apresentar um programa de esportes de aventuras que passava no canal Band Sports. Levei como "mais um trabalho", mas, na primeira vez que tive que sentar na frente de um atleta (depois de ter estudado a vida dele), entrevistá-lo e ver isso se transformar em reportagem, me apaixonei. É como se todo o antes tivesse me preparado para o agora. E foi aí que decidi me graduar e levar com a seriedade que a profissão merece.

Você desistiu da carreira de atriz por ser uma carreira difícil? 

Não sei se é uma carreira difícil. Talvez, para quem consiga ter contratos longos, seja mais confortável. Mas, para quem vive de trabalhos picados e de uma bilheteria de teatro é delicado. Sempre quis fazer o que amo, mas também ter meu conforto dentro de casa. Não estava conseguindo isso. Era sempre "trabalhar um mês para pagar o outro", e com aperto.

É verdade que você chegou a ser convidada para fazer testes na Globo e desistiu por causa do jornalismo?

Quando fui picada pelo bichinho da comunicação, estava com 22 anos. No mesmo ano fui convidada para fazer um teste para uma novela jovem, bem famosa, mas, inacreditavelmente, aquilo não me seduziu. E olha que eu passei anos esperando que aquele momento chegasse, mas meu coração já estava em outro lugar. Não queria ir ao teste, mas o produtor de elenco insistiu. "Vai, Elisa, você é a cara do que eles querem!" No fim, fui ao teste, mas não deu em nada. Mas, dentro de mim, já sabia que, mesmo que rolasse, não iria aceitar. Já estava matriculada na faculdade, fazendo aulas de inglês, de locução, de história política... Nada me tiraria daquele meu momento. Eu já tinha virado a chave. 

Elisa Veek posa com Roberto Carlos (Foto: Reprodução/Instagram@elisaveek)

Você tem pouco mais de quatro anos de formação, como você se sente sentada em uma bancada?

Por um lado, fico surpresa. Por outro, penso que está acontecendo aquilo que eu planejei. No início da faculdade, morava em São Paulo e apresentava o programa de esportes. Mas decidi que, o que eu queria de verdade, era ter um papel mais ativo como cidadã. Tinha muita vontade de ser estagiária em uma redação, mas em São Paulo, pagar a vida fazendo estágio é impossível. Conheci São José dos Campos e assistia bastante a afiliada da Globo, a Vanguarda. 

Pensei: "E se eu me mudar para lá, ter uma vida mais em conta, e tentar uma vaga de estagiária na emissora? Poderia passar um período, aprender com os colegas, ralar, e voltar mais forte para a capital".  Encaixotei a minha vida, transferi a faculdade e fui embora. Não quiseram me contratar como estagiária, mas, sim, como apresentadora do telejornal do meio-dia, o Link Vanguarda. E isso durou quatro anos. Meus colegas me ensinaram demais! Até que um dia... Chegou um convite da CNN.

A CNN contratou grandes nomes do jornalismo brasileiro. Ao chegar na emissora você se deparou com um colega que já era fã? Deu para sentir um gelo na barriga?

Ah, sim! Sempre gostei da Monalisa Perrone, pois o jeitão dela é cativante. Ela tem calor na fala, é natural no vídeo, e nem por isso deixa de ser respeitada. E esse é o tipo de jornalismo que eu gosto e quero continuar fazendo. Eu senti um friozinho na barriga quando a conheci. Mas ela logo me recebeu com um abraço, um aperto nas mãos, um olhar nos olhos, e tudo isso desapareceu.

Quem é seu maior ídolo no jornalismo e por quê?

Toda mulher, jornalista, que seja inteligente e bem-humorada, eu admiro. A Monalisa representa isso. E a Maria Beltrão, que é toda ela, é extravagante, ri alto, é única, e tem uma credibilidade ímpar. As pessoas mais interessantes que eu conheço, tem um senso de humor ótimo, e não tem medo de ser quem são. E são essas que eu admiro.