Excesso de informação sobre maternidade e gestação pode causar ansiedade

Camila Tuchlinski


Quando soube que estava grávida, a jornalista Camila Matos preferiu não correr atrás de informações sobre maternidade. Foi apenas no terceiro mês de gestação, após fazer o ultrassom e ver o pequeno Heitor, que o desejo por mais informações surgiu.
“Fiquei alucinada! Sempre busquei informações de acordo com a fase que eu estava. Lia muito blog, via vídeos no youtube. Baixei um aplicativo chamado Baby Center e teve uma época que eu só ficava nele. Comecei a participar do grupo ‘Mães de outubro de 2019’. No início eu era super ativa, fazia perguntas, respondia também”, lembra.
No entanto, quando chegou no 6º mês de gestação e ao perceber que a ansiedade aumentava, Camila decidiu dar um tempo. “Você imagina um bando de mães ansiosas, uma respondendo a outra assim: ‘Ah, porque eu tive dor em tal lugar e meu médico me deixou 15 dias afastada’. Aí, eu pensava: ‘Será que isso também tá acontecendo comigo?’. Depois esclareci com meu médico e ele explicou eram coisas diferentes”, afirma.
Agora, ela decidiu que só vai tirar dúvidas relacionadas à saúde da gestante com o próprio obstetra. Na internet ou redes sociais, Camila busca outras dicas, por exemplo, sobre amamentação e enxoval do bebê. “Não estou demonizando a internet, pois me ajudou muito, mas é preciso dar uma dosada. O que é relevante e quais dúvidas você precisa tirar com seu médico. Acho que é esse equilíbrio que tem que ter”, conclui.



Danielly Silveira, que passou recentemente por isso, concorda. Para ela, é preciso saber filtrar o excesso de informações.

Agora que é mãe da pequena Cecília, de dois meses, ela se recorda do acolhimento que recebeu em grupos nas redes sociais. “Acredito que a ansiedade no começo da maternidade vai existir, mesmo não tendo acesso à informação. Eu ficaria mais ansiosa se não soubesse pra onde correr. Mesmo tendo muita informação, que eu chamo de desinformação na internet, eu acho só nocivo para quem não sabe filtrar”, avalia.
Apesar de experiências tão peculiares, Danielly prefere conhecer as diversas situações pelas quais as gestantes passam. “Gosto de saber o que as mulheres sentiram diante da mesma aflição e para quais profissionais correram. Mas nunca faço um diagnóstico pela experiência do outro. Só utilizo essa informação para estar atenta a procurar ajuda profissional e apoio de quem passa pela mesma coisa”, diz ela, que já contratou uma doula com 12 semanas de gravidez.


Para a fundadora do Instituto Gerar, Vera Iaconelli, o excesso de informação, por vezes opostas, confunde a cabeça da gestante. “Porque ela pode tomar essas informações como verdade absoluta e não se guiar pela própria percepção, sensibilidade, pela própria possibilidade ou necessidade. Quer dizer, vem a informação, por exemplo: ‘Tem que dar chupeta’, ‘Não tem que dar chupeta’, ‘Tem que falar com a barriga durante a gestação’, ‘Não tem que falar’. E ela se esquece de se perguntar o que ela quer fazer, o que ela pode fazer, o que para aquele bebê funciona”, analisa.
Na opinião da psicanalista, que é especialista em maternagem, as mulheres recebem informações padronizadas que, em tese, serviriam para todas as gestantes.
“Ou seja, fere a singularidade dela e muitas vezes são informações contraditórias. Então, esse excesso de informação não ajuda a ninguém”, alerta.