Exaustão no trabalho: entenda a síndrome de burnout, que afeta 33 milhões de brasileiros

Close-up of woman lying on notebook at desk
(Foto: Getty Images)

Por Juliana Gola

Quando o trabalho gera exaustão constante, altos níveis de estresse, ansiedade e angústia, ele pode ser a fonte de uma síndrome chamada burnout (esgotamento, em inglês). Na última semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) oficializou a doença como uma síndrome crônica e trouxe à tona questionamentos sobre como estamos vivendo as profissões atualmente.

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Segundo o psicólogo Victor Valentim de Souza, “é um distúrbio psicológico que tem como origem condições de trabalho desgastantes que geram sintomas relacionados a um profundo esgotamento físico e mental”. Pesquisa recente divulgada pela OMS revelou que mais de 33 milhões de brasileiros são afetados atualmente pelo distúrbio.

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“Os sintomas se manifestam cotidianamente em atitudes como irritabilidade, pessimismo, mudança brusca de humor, isolamento, baixa autoestima, profunda tristeza em ter de trabalhar e apatia”, diz o psicólogo. Já entre as manifestações físicas estão as dores de cabeça, o cansaço constante, alterações no sono e no apetite e falta de ar.

O psiquiatra Daniel Oliva conta que a síndrome de burnout foi descrita pela primeira vez em 1974 pelo médico americano Herbert Freudenberg. Segundo ele, o principal sintoma é a exaustão, mas tendo como efeitos notados também as dores de cabeça, problemas gastrointestinais, tensão muscular, a insônia, palpitações, irritabilidade, ansiedade, tristeza, crises de choro, mudanças súbitas de humor, dificuldade para se concentrar, piora da memória e diminuição da autoestima. “Esses sintomas levam o indivíduo a se distanciar afetivamente da sua função, ficando indiferente, sem interesse e perdendo produtividade”, diz o psiquiatra.

Como alguns dos sintomas são comuns a outras doenças mentais, o ideal é procurar ajuda. “Seu diagnóstico é clínico e realizado por psicólogos ou psiquiatras. Deve ser feito levando em conta a história pessoal do sujeito, seu contexto atual de vida e os sintomas apresentados. Um bom diagnóstico necessita de tempo e envolvimento profissional”, explica o psicólogo Victor Valentim de Souza.

“Recomendamos procurar ajuda nos primeiros sinais. Por se manifestarem em um primeiro momento de forma menos grave, dá-se a impressão de que pode ser algo passageiro. Notar a intensificação desses sintomas é muito importante para que a possibilidade do adoecimento possa ser cuidada e amparada antes que se torne algo mais crônico”, completa.

Tired man being overloaded at work
(Foto: Getty Images)

Causas de burnout

Apesar de multifatorial, é possível observar a relação com empregos e rotinas desgastantes, de intensa demanda física, psíquica e emocional. “Algumas profissões são identificadas como de maior risco, como os trabalhadores da área da saúde, os bombeiros e policiais, e as pessoas que fazem as chamadas ‘jornadas duplas’, em que atuam em duas funções diárias, na rua e em casa ou em dois empregos”, afirma Daniel Oliva. “Ao se encontrar em rotina estressante e notar alterações de humor, cansaço físico e psíquico desproporcionais e queda no desempenho recomendamos que procure ajuda médica psiquiátrica”, completa.

Estão também nesse grupo de alerta os profissionais de alto rendimento. “Ambientes de trabalho com demandas excessivas, pressões diversas como prazos curtos, acúmulo de tarefas e relações interpessoais invasivas também favorecem o surgimento da síndrome de burnout”, explica Victor Valentim de Souza.

Tratamento

O primeiro passo é identificar os sintomas e procurar um psicólogo ou psiquiatra. “Dependendo da gravidade do caso, indicamos uma ou mais consultas semanais com um psicólogo. Caso esteja mais evoluída, pode ser necessário o tratamento medicamentoso”, diz Victor Valentim de Souza.

“O tratamento compreende uso de psicofármacos (antidepressivos) e psicoterapia, sendo recomendado também prática de exercício físico e de atividades de lazer”, completa o psiquiatra Daniel Oliva.

Toda a sensação causada pelo burnout pode refletir em atitudes negativas, agressividade, isolamento, dificuldade de concentração, lapsos de memória, pessimismo e baixo autoestima. É preciso ficar atento, pois a síndrome pode levar a um quadro de depressão. Entre as ações benéficas estão também: dormir bem, gerenciar o estresse, estabelecer e manter rotinas e cuidar da vida social.

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