Exame de idade óssea: 8 perguntas para entender para que serve e quando fazer

Ortopedista examina criança em clínica de reabilitação em Kabul, no Afeganistão, em junho de 2021 (Foto: ADEK BERRY / AFP) (Foto: ADEK BERRY/AFP via Getty Images)
Ortopedista examina criança em clínica de reabilitação em Kabul, no Afeganistão, em junho de 2021 (Foto: ADEK BERRY / AFP) (Foto: ADEK BERRY/AFP via Getty Images)

O exame de idade óssea, feito a partir de um raio-x, é considerado fundamental pelos endocrinologistas pediátricos. O teste ajuda o especialista a chegar a um possível diagnóstico por mostrar como está o crescimento e a previsão de estatura da criança.

Conforme explica a endocrinologista pediátrica do Sabará Hospital Infantil, Luciana Izar, os ossos apresentam uma maturação diferente para cada idade. “Podemos checar se está dentro do esperado para meninas e meninos de acordo com um atlas que divide sexo feminino e masculino”, ensina a médica.

A seguir, entenda a função do exame e tire as principais dúvidas sobre o teste.

O que é o exame de idade óssea e como é feito?

O exame não causa dor, não é invasivo e é oferecido gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Em geral, é feito o raio-x da mão e punho não-dominantes (se a criança for canhota, do lado direito), porém outros ossos também podem ser avaliados.

Para que serve?

A partir do teste, é possível comparar a idade óssea e a idade cronológica (se há atraso ou avanço dessa idade óssea em reação à idade cronológica), fazer estimativas de previsão da estatura final da criança e ainda comparar idades ósseas de um mesmo paciente realizadas em momentos diferentes.

“O que acontece é que, à medida que crescemos, podemos observar diferenças específicas em cada osso. São essas sutis alterações que devem ser analisadas por um médico experiente”, explica a pediatra endocrinologista Ana Luiza Diogo, reforçando que a partir da imagem e com base em métodos específicos, os especialistas podem estimar a idade óssea de uma criança ou adolescente naquele dado momento.

Além disso, esses dados serão analisados em conjunto com todo o histórico do paciente.

“A idade óssea é apenas uma peça de um enorme quebra-cabeça. Precisamos considerar exame físico e, às vezes, dosagens hormonais ou outros exames de imagem. Com todas essas informações em mãos podemos discutir o diagnóstico e propor um tratamento à família”, acrescenta a pediatra, que atua no Hospital Santa Lúcia, em Brasília.

Em quanto tempo o exame fica pronto?

A radiografia é uma “foto” dos ossos e fica pronta no mesmo momento em que é feita.

“Entretanto, o laudo depende de uma análise e interpretação de um médico experiente em idade óssea. O tempo para análise e redação do laudo irá variar conforme a clínica, mas em geral o resultado fica disponível em poucos dias”, indica Ana Luiza.

Em quais casos os pais devem procurar ajuda?

O crescimento e a puberdade da criança idealmente devem ser acompanhados do nascimento à adolescência por um pediatra ou endocrinopediatra.

Muitos pais acabam procurando só em caso de patologia e às vezes perdemos um tempo precioso no tratamento das crianças.Luciana Izar, endocrinologista pediátrica

O acompanhamento é inicialmente baseado no exame físico e nas curvas de crescimento das crianças, aquelas que estão no “cartão da criança” fornecido ao nascimento pelo Ministério da Saúde.

“O raio-x de idade óssea poderá ser solicitado como um exame complementar em situações específicas: velocidade de crescimento lenta ou acelerada para idade, surgimento de caracteres sexuais secundários de forma precoce (mamas, pelos, odor axilar), crescimento da criança fora do esperado para o padrão familiar, suspeita de alguma doença específica”, diz a médica do Hospital Santa Lúcia.

Quais os problemas mais comuns revelados pelo exame?

Luciana esclarece que quando o exame indica até dois anos de diferença (para mais ou para menos) ainda pode não indicar um problema, mas o caso ainda deve ser avaliado cuidadosamente.

Já se o raio-x indica uma diferença maior que dois anos, isso dá pistas de algumas doenças aos especialistas.

O que pode causar o atraso na idade óssea?

O atraso na idade óssea pode ocorrer por inúmeras causas, incluindo fatores genéticos (como atraso constitucional do crescimento e puberdade), fatores hormonais (deficiência do hormônio de crescimento ou alteração nos hormônios da tireoide), uso prolongado de alguns medicamentos específicos e doenças, em especial doenças graves ou doenças crônicas. A desnutrição crônica também terá impacto na idade óssea.

“Com relação aos agrotóxicos, temos diversas substâncias que são denominadas disruptores endócrinos ou desreguladores endócrinos. São substâncias externas que podem imitar hormônios e confundir nosso organismo”, afirma Ana Luiza.

De acordo com a médica, alguns agrotóxicos estão nessa lista, mas também existem várias outras substâncias com as quais temos contato frequentemente: bisfenol A, que está presente em plásticos, parabenos presentes em cosméticos e até mesmo substâncias presentes em maquiagens, esmaltes. Além disso, a soja contém fitoestrógeno que pode avançar a idade óssea. Todas essas substâncias podem “ter impacto tanto de atrasar ou avançar a idade óssea, sendo que algumas crianças terão maior ou menor intensidade de efeitos”.

Outro dado importante é que a obesidade pode levar a um avanço de idade óssea e muitos estudos mostram que meninas obesas podem ter a primeira menstruação mais cedo.

Como é o tratamento?

O tratamento da puberdade precoce irá variar conforme a idade da criança, a idade óssea, a previsão de estatura final e também o tipo de puberdade (puberdade central ou periférica).

As especialistas indicam que, quando o caso é de puberdade precoce central, temos a opção de utilizar um hormônio chamado de ‘bloqueio puberal’. Ele irá atrasar a evolução da puberdade, postergar a idade da primeira menstruação e, em algumas situações, pode melhorar a previsão de altura já que ele irá permitir mais tempo de crescimento da criança.

O diagnóstico precoce é fundamental para o resultado final da altura. É importante entender que nem sempre está indicado o bloqueio puberal e que quanto mais tarde este bloqueio for iniciado, menor será o benefício para o crescimento. Há situações em que o bloqueio puberal não trará benefícios e, portanto, não deve ser usado.Ana Luiza Diogo, pediatra endocrinologista

Quando é uma opção usar injeções de hormônio? Isso pode ser perigoso para o jovem?

Medicamentos com hormônios também podem ser usados para ajudar no crescimento das crianças que, comprovadamente, por meio da análise médica, tenham chance de se beneficiar com eles.

“É necessário indicação precisa, acompanhamento e um especialista que consiga identificar o momento que precisa interromper o remédio. (...) Para o segmento, podem ser pedidos exames de sangue mensais ou trimestrais”, indica Luciana Izar, reforçando que há algumas contraindicações para o uso das drogas, e por isso, os pais nunca devem iniciar sem acompanhamento médico.

Recomendação para que as crianças tenham um crescimento saudável

- Manter acompanhamento regular com pediatra ou endocrinopediatra desde o nascimento. Acompanhar de perto o desenvolvimento de caracteres sexuais secundários e velocidade de crescimento.

- Evitar desreguladores endócrinos: não usar maquiagem, esmaltes, evitar consumo de soja e bebidas de soja (ate finalizar a adolescência), não esquentar alimentos em vasilhas de plástico e reduzir uso de plástico no dia a dia. Usar produtos de higiene infantis e que não contenham parabenos (ler os rótulos).

- Manter atividade física, alimentação saudável e peso adequado para idade.

- Em caso de dúvidas quanto ao surgimento de mama, pêlos ou mudanças nos testículos, procurar atendimento com endocrinopediatra o mais cedo possível.

- Uso de hormônios deve ser criterioso e bem indicado por especialista.

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