EUA anuncia nova venda de armas a Taiwan apesar da crescente irritação da China

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Foto de 15 de julho de 2020, divulgada pelo ministério da Defesa de Taiwan, mostra um navio de guerra lançando um míssil Harpoon, de fabricação americana, durante exercício militar no mar perto de Taiwan
Foto de 15 de julho de 2020, divulgada pelo ministério da Defesa de Taiwan, mostra um navio de guerra lançando um míssil Harpoon, de fabricação americana, durante exercício militar no mar perto de Taiwan

Os Estados Unidos anunciaram a venda de 100 sistemas de defesa costeira Harpoon a Taiwan por 2,4 bilhões de dólares, o que provocou uma dura reação da China, irritada com uma operação similar de venda de armas à ilha na semana passada.

A transação "irá aumentar a capacidade de defesa de Taiwan", destacou o Departamento de Estado, ao anunciar a operação, apesar de a China ter decidido aprovar sanções nesta segunda-feira contra empresas americanas envolvidas em vendas anteriores de armas a Taiwan, ilha que considera parte de seu território.

A venda envolve 100 baterias de defesa costeira Harpoon (HCDS), que podem contar com até 400 mísseis RGM-84L-4, com alcance máximo de 125 km. Estes mísseis, fabricados pela divisão de defesa da Boeing, podem ser colocados em plataformas fixas ou montados em caminhões.

O gabinete da presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, divulgou um comunicado agradecendo aos Estados Unidos pela venda e afirmando que a mesma irá "aumentar a capacidade de guerra assimétrica". 

Os Estados Unidos consideram prioritário contrabalançar a influência da China na região Ásia-Pacífico. Também pretendem dar a Taiwan capacidade de defesa confiável contra uma possível invasão do Exército chinês.

Washington anunciou na quarta-feira passada uma operação de venda de armas a Taiwan da ordem de 1,8 bilhão de dólares, incluindo 135 mísseis de defesa costeira Slam-ER de última geração, que diferentemente do Harpoon, tem um alcance maior do que a largura do Estreito de Taiwan, que separa a ilha da China.

- Advertência chinesa -

Taiwan tem uma população de 23 milhões de pessoas e é governada há 75 aos por um regime que se refugiou neste território depois que os comunistas tomaram o poder na China continental durante a guerra civil chinesa. 

A República Popular Chinesa considera o território insular uma de suas províncias e ameaça usar a força em caso de uma proclamação formal de independência ou intervenção externa, especialmente americana.

Pequim pediu pela primeira vez na semana passada a Washington que "cancele" esta venda "para evitar danificar ainda mais as relações" entre os dois países. 

Ao não receber resposta de Washington, anunciou na segunda-feira sanções contra as empresas armamentistas americanas, as "pessoas e entidades que tenham tido mal comportamento" durante a venda. 

As gigantes do setor, Lockheed Martin, Raytheon e o braço de defesa da Boeing, manifestaram preocupação a respeito.

Nesta terça-feira, a China se declarou "veementemente contrária" à venda de armas e pediu a Washington o "cancelamento para não prejudicar as relações sino-americanas, assim como a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan", segundo Wang Wenbin, porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores.

"Continuaremos tomando as medidas necessárias para salvaguardar a soberania nacional e os interesses em termos de segurança", destacou o porta-voz.

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