'Eu tomo qualquer vacina, desde que seja certificada pela Anvisa', diz Mourão

Daniel Gullino e Gustavo Maia
·2 minuto de leitura

BRASÍLIA — O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta sexta-feira que tomaria "qualquer vacina" contra a Covid-19, desde que ela tenha sido certificada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mourão deu a declaração após ser questionado se tomaria a CoronaVac, imunizante que está sendo desenvolvido por um laboratório chinês. O presidente Jair Bolsonaro, por outro lado, já disse que não tomará nenhuma vacina contra a doença, independente da origem.

— Eu tomo qualquer vacina, não tenho problema nenhum, desde que seja certificada pela Anvisa. A Anvisa certificando a vacina, eu estou pronto para tomá-la — disse o vice-presidente, em entrevista ao canal de Youtube do advogado Paulo Rocha.

Na entrevista, Mourão disse que houve uma "paixonite política" durante a pandemia do coronavírus, com temas como a própria vacina, a hidroxicloroquina (defendida por Bolsonaro) e medidas de distanciamento social.

— Houve uma paixonite política em cima disso. Desde os aspectos mais simples, é isolamento total, é isolamento vertical; é hidroxicloroquina, não é hidroxicloroquina; é vacina da China ou não é vacina da China. Alto totalmente desproporcional, ineficaz e prejudicial às necessidades que o país tinha.

O vice-presidente também afirmou que foi uma "falha" do governo não ter elaborado uma "diretriz" com recomendações para os estados e municípios durante a pandemia.

— Naquele momento talvez o mais eficaz para o governo seria ter colocado uma diretriz, que cada ente nacional aderiria a essa diretriz de acordo com suas necessidades — disse. — Isso foi uma falha que nós tivemos. Nós poderíamos ter feito uma diretriz. Fizemos isso de forma informal. Fizemos uma disseminação de melhores práticas, que nada mais é que uma diretriz, mas ela poderia ter abordado outros aspectos, como questão de isolamento, tipos de isolamento.

Governo reconheceu Biden 'tacitamente'

Questionado se o Brasil está demorando para reconhecer a vitória do Joe Biden nas eleições dos Estados Unidos, realizadas no dia 3 de novembro, Mourão afirmou que "tacitamente", ou seja, de modo não-explícito, "isso já ocorreu". Para o vice-presidente, a inflexão na posição do presidente Jair Bolsonaro deve ocorrer no próximo dia 14, quando o colégio eleitoral americano irá oficializar a vitória do democrata contra o atual presidente Donald Trump, aliado de Bolsonaro.

— Acredito que no momento que o presidente julgar necessário ele vai estabelecer as ligações, que eu acredito que por via da nossa embaixada em Washington já estão sendo feitas. No momento certo ele irá cumprimentar o presidente Biden, assim que for efetivada essa eleição dele, que na minha visão se dará no próximo dia 14 de dezembro, quando o Colégio Eleitoral americano se reunir e carimbar a vitória do Biden — declarou.

Mourão, no entanto, foi evasivo ao ser indagado se já teria reconhecido, caso fosse o chefe de Estado do Brasil:

— Essa é uma pergunta que eu deixo para a posteridade — disse, rindo.