'Eu sou mãe, mas não quero apenas amigas de maternidade'

Diverse friends enjoy a party
Amigas conversando no sofá de casa – Foto: Getty images

Por Katy Anderson
PopSugar

“Nem todas as mães gostam das conversas que costumam acontecer em parquinhos e pracinhas. Sou introvertida, então isso é uma coisa difícil para mim. Algumas mães conseguem iniciar conversas e fazer novas amigas de forma muito natural, mas este não é o meu caso. No parque ou nos eventos da escola, nós somos as mães que estão sempre sentadas sozinhas num banco, mas não é porque somos metidas. É porque, para nós, aquela conversa fiada é constrangedora e exaustiva.

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Há pouco tempo eu assistia um episódio de ‘Good Girls’ no qual a personagem de Christina Hendricks estava empurrando seu filho no balanço enquanto as mães ao seu redor discutiam a maternidade. O rosto dela não tinha expressão alguma, e ela parecia querer cavar um buraco para se esconder. E pensei: ‘Essa sou eu’.

Felizmente, às vezes as “amigas de maternidade” se transformam em amigas reais.

A verdade é que, além da oportunidade que esses encontros oferecem para que meus filhos brinquem com outras crianças, não preciso nem desejo ter ‘amigas de maternidade.’ Para mim, esses relacionamentos sempre parecem ser competitivos. O que eu realmente quero são amizades verdadeiras, do tipo que você pode conversar sobre assuntos diferentes de desfralde e treinamento de sono. Eu passo a maior parte do meu dia fazendo ‘coisas de mãe’, e quando finalmente tenho a chance de me conectar com outro adulto, não quero falar apenas dos meus filhos.

Felizmente, às vezes as ‘amigas de maternidade’ se transformam em amigas reais, mas isso tem sido raro para mim. Desde que me tornei mãe, 11 anos atrás, conheci apenas duas mulheres que se tornaram minhas amigas, e sou muito grata por tê-las na minha vida. Essas amizades começaram a partir da amizade dos nossos filhos, porque as crianças têm uma capacidade incrível de se conectar umas com as outras, sem o constrangimento dos adultos. Finalmente, depois que passamos a ficar mais confortáveis umas com as outras, passamos a conversar sobre problemas reais, honestamente, o que nos permitiu construir confiança – a base de uma amizade verdadeira.

As minhas amizades mais importantes são aquelas que superaram o passar do tempo – desde o ensino médio, na verdade. A história que tenho com estas mulheres é rica e profunda. Algumas delas são mães, outras não. Nós não moramos muito perto umas das outras, mas mantemos contato de outras formas.

Quando nos juntamos, falamos sobre nossos filhos (aquelas de nós que têm filhos), mas também falamos sobre muitas outras coisas. Estas são as mulheres com quem eu entrei em contato, sem pestanejar, quando recebi um diagnóstico de artrite reumatoide. Eu sabia que podia contar com o seu apoio e amor. Com estas amigas, eu compartilho minhas inseguranças mais profundas e dores mais obscuras. Posso falar a verdade sobre mim mesma e a maternidade, coisas sobre as quais eu teria vergonha de revelar a outra pessoa, pois sei que posso contar com elas para me ouvir sem fazer qualquer tipo de julgamento – e dar boas gargalhadas, quando finalmente conseguimos nos encontrar e passar um tempo juntas.

Atualmente, minha vida está mais ocupada do que nunca. Eu trabalho de casa, tenho um marido e três filhos. A maior parte do meu tempo e da minha energia vai para a minha família e minhas responsabilidades, e agora que estou enfrentando uma doença crônica, sou ainda mais seletiva sobre onde invisto minha energia. As amizades, assim como qualquer relacionamento, requerem tempo e esforço. Elas exigem trabalho, e só estou disposta a trabalhar por amizades verdadeiras, não pelas superficiais.

Talvez eu tenha simplesmente superado a fase das ‘amigas de maternidade’, quando seu filho é bebê e você fica desesperada para estar com outro adulto que passa pela mesma privação de sono que você. Hoje, eu preciso de mais. Eu preciso de uma amiga com quem possa conversar durante uma crise, alguém que não vai me julgar ou fofocar com outras mães sobre a forma como escolho criar meus filhos. Hoje, eu sacrificaria uma dúzia de “amigas de maternidade” por uma amizade verdadeira.”