'Eu não pensava que seria feliz novamente', diz Billie Eilish sobre depressão

João Pedro Malar*


A cantora Billie Eilish falou sobre os efeitos da fama em sua vida e como eles acabaram gerando um quadro de depressão, ocorrido no ano de 2018 e no começo de 2019.

Billie falou sobre o tema em entrevista publicada no The Morning Show nesta quinta-feira, 23. Ela relata que, no começo da carreira, chegou a ter suas músicas rejeitadas por serem muito tristes.

“No começo sempre havia gravadoras e rádios que não mostravam minhas músicas pois achavam que eu era muito triste e que ninguém iria se identificar. Mas isso era engraçado pois todo mundo já se sentiu triste, e é claro que é importante promover a alegria e o amor próprio, mas muitos não sentem isso. Ninguém que me conhece pensa que sou uma pessoa sombria”, destacou a cantora.

Segundo Billie, os efeitos da fama, em especial a perda de privacidade, resultaram em um quadro de depressão clínica, desencadeada em 2018. “Eu estava muito infeliz no ano passado e no começo desse [2018 e 2019], eu não tinha alegria”, disse a cantora. Ela também relata a dificuldade para, por exemplo, sair com os amigos, algo que ela classificou como “torturante”.

Ela revelou que conseguiu superar essa fase graças à terapia, à paciência e ao apoio da família. Maggie Baird, mãe da cantora, também falou sobre o caso: “A depressão foi a pior parte de tudo isso, nós checavámos com ela toda hora se ela queria continuar [a carreira]. Ela amava fazer os shows, era o que a permitia continuar.”

Billie, que é a mais jovem indicada para todas as quatro categorias principais do Grammy e possui 18 anos, também revelou que a letra de Bury a Friend, mas especificamente o trecho “I'm thinkin' about the things that are deadly/The way I'm drinkin' you down/Like I wanna drown, like I wanna end me” (Estou pensando nas coisas que são mortais, do jeito que eu estou bebendo você, como se eu quisesse me afogar, como se eu quisesse acabar comigo), foi uma referência de Billie a sua condição. “Eu não acreditava que chegaria aos 17”, comenta.

Hoje ela destaca o sentimento “libertador” que sente por ter conseguido superar essa fase, e comenta que busca ajudar fãs que estão passando por uma situação semelhante: “Eu pego eles pelos ombros e falo ‘por favor cuide de você mesmo, e seja bom e gentil com você mesmo, não tome esse próximo passo e se machuque mais ainda, porque você não poderá reverter isso’”.

*Estagiário sob supervisão de Charlise Morais