Estudo revela por que é tão difícil compensar o 'sono perdido'

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Um fim de semana deitado não compensará a falta de sono. (Getty Imagens)
Um fim de semana deitado não compensará a falta de sono. (Getty Imagens)

Você pode achar que é possível compensar uma noite de sono ruim indo dormir cedo nas noites seguintes ou dormindo no fim de semana, mas uma nova pesquisa revelou que pode não ser tão simples assim.

As estatísticas do Dia Mundial do Sono sugerem que 45% da população tem dificuldades para dormir bem.

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A privação de sono pode ter impactos de longo prazo na saúde, tanto física quanto mental.

A maioria das pessoas acredita que, depois de alguns dias dormindo mal, bastam algumas noites bem dormidas para colocar o sono de volta nos trilhos e "acertar" o relógio biológico, mas não é bem assim. De acordo com um novo estudo, as pessoas que dormiram 30% menos do que o necessário por 10 dias não recuperaram totalmente a função cognitiva mesmo após sete noites bem dormidas.

Portanto, dormir bem por uma semana não recupera os dias em que você foi dormir tarde ou acordou muito cedo.

O estudo, publicado na Revista científica Plos One, avaliou 13 pessoas na faixa dos 20 anos que dormiram 30% menos do que o necessário por 10 noites.

Os pesquisadores constataram que os participantes não haviam recuperado totalmente a maior parte da função cognitiva após sete noites de sono pleno para se recuperar.

Embora o estudo seja pequeno, os especialistas em sono concordam com as constatações da pesquisa.

“O estudo mostra que a memória e a velocidade de processamento mental não são restauradas tão rapidamente”, afirma o especialista em sono Dr. Raj Dasgupta, professor assistente na Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia, que não participou do estudo.

“Com certeza, as principais consequências da perda de sono podem ser revertidas, mas há aspectos que simplesmente não podem ser recuperados rapidamente. Por isso é tão importante não ter esse déficit de sono”.

Esse aspecto ficou evidenciado em pesquisas anteriores, que constataram que as pessoas que dormiram menos de seis horas por noite durante duas semanas tiveram resultados tão ruins em testes cognitivos e de reflexos quanto pessoas que não dormiram por duas noites inteiras. Um estudo mais recente também revelou que dormir bem no fim de semana não é suficiente para reduzir os riscos à saúde decorrentes do sono insuficiente durante a semana.

O estudo, realizado por pesquisadores da Universidade do Colorado em Boulder, revelou que é melhor dar mais importância a dormir o suficiente durante a semana em vez de simplesmente tentar compensar durante o fim de semana.

Os resultados têm o respaldo de outra pesquisa do Hospital de Assistência Pública de Paris, que teve como objetivo descobrir se era possível recuperar o sono nos fins de semana.

Dos 12.000 participantes entrevistados, mais de um terço dormia seis horas ou menos por noite durante a semana.

Demora mais para se recuperar de uma dívida de sono do que você imagina. (Getty Images)
Demora mais para se recuperar de uma dívida de sono do que você imagina. (Getty Images)

Quase um quarto afirmou estar dormindo pelo menos uma hora e meia a menos do que achavam que realmente precisariam, acumulando um grande déficit de sono.

“Nossa pesquisa demonstra que cerca de 75% das pessoas com sono insuficiente não conseguiram dormir mais no fim de semana ou tirar cochilos durante o dia”, disse o Dr. Damien Leger, autor do estudo.

“Provavelmente, elas não tiveram tempo para repor o sono ou estavam em situações inadequadas para dormir, como ambientes barulhentos, estresse ou filhos em casa".

“Portanto, não recuperaram o déficit de sono”.

Então, quanto tempo é necessário para se recuperar de uma noite mal dormida?

“Não sabemos exatamente,” disse o Dr. Bhanu Prakash Kolla, especialista do Centro de Medicina do Sono da Clínica Mayo, à CNN.

“Este estudo mostra que talvez algumas funções, principalmente em pacientes mais jovens, demorem mais para se recuperar após a privação de sono”.

Então, o segredo é não ter déficit de sono.

“Precisamos priorizar o sono e tentar dormir pelo menos sete horas por noite”, continua o Dr. Kolla. “Quando isso não é possível, é importante reservar um tempo para nos recuperar e estar cientes de que a privação de sono afeta o humor e a cognição”.

Por sorte, existem algumas maneiras de não cair na armadilha do déficit de sono, como reduzir a ingestão de cafeína e álcool antes de dormir, fazer exercícios regularmente e relaxar antes de deitar.

Outra dica para preparar a mente para o sono é não usar aparelhos eletrônicos à noite, pois eles atuam como um estimulante para o cérebro e dificultam o sono.

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