Quarentena pode alterar a percepção do tempo, diz estudo

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A forma como percebemos a passagem do tempo foi alterada pela quarentena. (Getty Images)
A forma como percebemos a passagem do tempo foi alterada pela quarentena. (Getty Images)

Você está tendo dificuldade para dizer em que dia da semana está nesta quarentena? Para alguns, talvez aqueles que estão adorando trabalhar de casa ou que estão apreciando a chance de passar mais tempo com os seus filhos, os dias parecem estar voando.

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No entanto, aqueles que estão desesperados para viajar ou abraçar os seus familiares, sentem que o tempo parece se arrastar. A quarentena parece ter alterado a nossa percepção do tempo – e os cientistas acabaram de provar que isso realmente está acontecendo.

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O novo estudo, publicado na revista científica PLOS ONE, sugere que as medidas de distanciamento físico e social impostas durante a pandemia de COVID-19 impactaram significativamente a percepção das pessoas em relação à rapidez com a qual o tempo passa, em comparação com o observado antes da quarentena.

O estudo, liderado por Ruth S. Ogden da Liverpool John Moores University, analisou as respostas de 604 participantes, que tiveram que avaliar quão rapidamente sentiam que o tempo estava passando em comparação com um período ‘normal’, tanto ao longo de um dia quanto de uma semana inteira.

Os participantes da pesquisa também registraram o seu estado emocional, carga de tarefas e satisfação com os níveis de interação social entre 7 de abril e 30 de abril desse ano.

Os resultados revelaram que mais de 80% dos participantes notaram mudanças na rapidez com que percebem o tempo durante a quarentena, em comparação com o período anterior.

É interessante destacar que os participantes mais velhos e aqueles menos satisfeitos com seus níveis atuais de interação social apresentaram uma probabilidade maior de sentir que o tempo está passando mais devagar ao longo dos dias e semanas.

A percepção de que o dia demora muito para passar também foi associada àqueles com níveis mais elevados de estresse e com uma carga mais pesada de tarefas.

A sensação de que o tempo está passando com mais rapidez durante a quarentena foi associada a participantes mais jovens e àqueles mais satisfeitos com seus níveis atuais de interação social.

“80% dos participantes notaram uma distorção na passagem do tempo durante a quarentena,” disse Ogden ao ScienceDaily. “A percepção de que o tempo está passando mais lentamente na quarentena foi associada às pessoas mais velhas e mais insatisfeitas com suas interações sociais”.

Para alguns, o tempo está se arrastando durante a quarentena. (Getty Images)
Para alguns, o tempo está se arrastando durante a quarentena. (Getty Images)

O que está causando essa distorção no tempo?

Os autores do estudo acreditam que as descobertas indicam que a ocorrência de grandes mudanças na rotina, decorrentes de uma pandemia global, podem distorcer a percepção do tempo.

Pesquisas anteriores sugerem que a nossa percepção de quão rápido o tempo passa pode mudar, dependendo das nossas emoções, do quanto estamos ocupados no dia a dia e de outros fatores.

Agora, os pesquisadores esperam que análises futuras possam mergulhar mais profundamente nos efeitos ou fatores específicos, incluindo se as interações sociais influenciam a percepção do tempo durante a “vida normal”, ou se a sua significância neste estudo pode ser atribuída aos impactos sociais da quarentena.

Embora o novo estudo pareça indicar que a nossa percepção do tempo mudou durante a quarentena, Ogden destaca que ele tem limitações, e explica que variáveis adicionais, ainda não cobertas pela pesquisa, podem ter influenciado a sensação dos participantes.

Uma delas é o consumo de bebidas alcoólicas.“O consumo de álcool está aumentando diante do distanciamento físico e social,” destaca Ogden. "Existe a possibilidade de que um consumo atípico de álcool durante a quarentena possa estar contribuindo para a alteração da percepção do tempo nesse período”.

“Pesquisas futuras devem, portanto, explorar o efeito do consumo de drogas e álcool na percepção do tempo durante a quarentena”.

Marie Claire Dorking

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