Estudo analisa como pessoas com síndrome de Down reagem à Covid-19

Agência Einstein
·3 minuto de leitura
Cheerful little girl with down syndrome wearing face protective mask
Cheerful little girl with down syndrome wearing face protective mask

Por Cristiane Bomfim, da Agência Einstein

Febre, tosse e dificuldade para respirar e sintomas nasais são as manifestações mais comuns da Covid-19 em pessoas com Síndrome de Down. Além disso, para quem tem essa condição genética, as chances de o contágio pelo novo coronavírus se agravar é maior a partir dos 40 anos de idade, enquanto na população geral, os riscos são maiores a partir dos 60 anos. É o que mostra os resultados preliminares de um estudo colaborativo internacional para identificar como a Covid-19 se manifesta em quem tem Down.

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Realizado pela T21 Research Society (T21 RS) com apoio de organizações internacionais, pesquisadores de países como Estados Unidos, Espanha, Reino Unido, Brasil e França estão coletando informações para entender os riscos e a evolução da Covid-19 em pessoas com Down e, assim, responder as seguintes questões: elas são mais vulneráveis? Sua gravidade está relacionada às condições de saúde pré-existentes? Até o fim de maio foram respondidos 329 formulários. As informações estão sendo captadas por meio de questionários preenchidos por médicos ou familiares próximos de pessoas com esta condição genética.

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Os primeiros resultados do estudo, que continua acontecendo, mostram que os sintomas nasais, como congestão nasal e coriza, são mais comuns entre quem tem Down. E a falta de ar está normalmente associada à internação. Ou seja, é um sintoma que precipita a admissão no hospital. Mas, o principal achado até agora é que embora a proporção de mortes neste público seja semelhante ao da população em geral, o risco de desfecho fatal na população com Down é maior a partir dos 40 anos.

“O organismo de quem tem Down envelhece mais precocemente. A partir da quarta ou quinta década de vida essas pessoas já podem apresentar declínio cognitivo ou outras condições de saúde associadas, e muitos podem evoluir para a demência e doenças como o Alzheimer. Assim, esse estudo sugere que a partir dos 40 anos, a população com Down já é a de maior risco para a Covid-19”, explica Ana Claudia Brandão, pediatra do Hospital Israelita Albert Einstein, pesquisadora em Síndrome de Down e uma das responsáveis, no Brasil pelo estudo.

Para participar:

A pesquisa deve durar dois anos e contempla pessoas com síndrome de Down de qualquer sexo ou idade que tiveram sintomas da Covid-19 ou ter testado positivo para a doença. Para ajudar no estudo, médico ou familiar desta pessoa precisam preencher questionário da pesquisa que será enviado após solicitação pelo e-mail covid19@federacaodown.org.br

Não se esqueça:

* É importante lembrar que as formas de transmissão do novo coronavírus e contágio são iguais para todas as pessoas: por meio da dispersão de gotículas de secreção das vias aéreas de um individuo contaminado por meio da tosse, espirro e até fala. Além disso, estudos têm mostrado que o vírus contamina o ambiente e pode sobreviver em superfícies (como mesas, botões de elevador, utensílios domésticos e de escritório) por períodos prolongados.

* O estudo da T21 Research Society pretende descobrir se pessoas com Down são mais vulneráveis e se podem ficar em estado mais grave. Mas, no geral, a manifestação clínica habitual da Covid-19 em pacientes com ou sem Down é a mesma. Ou seja: febre, sintomas do trato respiratório superior (coriza, dor de cabeça, congestão nasal e dor de garganta). O que pode mudar é como as pessoas com Down percebem e expressam os sintomas. Por isso é importante ficar atento aos sintomas e alterações comportamentais que podem indicar que algo não está bem.

(Fonte: Agência Einstein)