Pressão baixa por conta do calor? Veja dicas para amenizar o estresse térmico

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Verão é ótimo, mas é preciso cuidado com estresse térmico (Foto: Nathan Dumlao/Unsplash)
Verão é ótimo, mas é preciso cuidado com estresse térmico (Foto: Nathan Dumlao/Unsplash)

Enquanto os dias quentes são fortemente desejados para quem está com as férias planejadas, as temperaturas muito altas podem trazer sintomas incômodos no dia a dia – especialmente quando não tomamos medidas simples para resfriar o corpo.

Comum especialmente no verão, o quadro de estresse térmico acontece quando há um aumento de temperatura ambiental, mas o corpo não consegue liberar o calor que precisa para se manter em torno de 36º graus, o natural para o organismo humano.

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“O corpo usa de alguns mecanismos naturais para tentar lutar contra o calor, como a vasodilatação, mantendo o sangue mais próximo à pele, e a troca por suor. Mas se o clima é muito intenso, não funciona. Aí você começa a gastar mais energia e fica com a sensação de cansaço”, explica Leandro da Fonseca, clínico geral, diretor da clínica Soroped e médico na Santa Casa de Misericórdia de Piedade.

Avaliada entre as dez principais ameaças para a saúde global pela OMS (Organização Mundial), a crise climática pode intensificar o estresse térmico nas populações, especialmente aquelas que vivem em regiões tropicais. Um relatório divulgado em agosto pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas na tradução em português), a temperatura média do planeta subiu 1,1 grau desde a segunda metade do século 19 e tende a ficar ainda mais elevada. No melhor dos cenários, deve alcançar 1,5 grau de aquecimento nas próximas duas décadas, diz o documento.

Além das ondas de calor naturais, há também fatores do ambiente que influenciam para que sinais do estresse térmico apareçam. “O risco é maior a depender da umidade da região, quantidade de vento, lotação no local e se a pessoa tem hipotensão”, explica Paulo Camiz, clínico geral do HC-SP (Hospital das Clínicas da Faculdade de São Paulo).

Sinais comuns

  • Tontura

  • Queda da pressão arterial

  • Aceleração da respiração

  • Sensação de lentidão e cansaço

  • Fraqueza

  • Câimbra

  • Palidez

O organismo de pessoas com comorbidades, gestantes, crianças e idosos pode ter ainda mais dificuldade para a adaptação em temperaturas muito elevadas, e por isso, os sintomas podem ser mais fortes.

O que fazer para amenizar os sintomas

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De acordo com o médico Paulo Camiz, o melhor é adotar medidas simples, mas que muitas vezes são menosprezadas. A prevenção inclui estar bem hidratado, procurar locais mais ventilados e lugares na sombra e evitar expor-se em horários quando o sol está forte, geralmente entre 11h e 15h.

A precarização do trabalho, aponta o clínico Leandro da Fonseca, prejudica milhares de pessoas que precisam estar expostas às altas temperaturas por várias horas. “Como os trabalhadores agrícolas, que ficam debaixo do sol na maior parte do dia e aqueles que manuseiam máquinas com substâncias muito quentes. O descanso é ainda mais necessário para esses grupos.”

Estudo mostra impactos ainda mais graves

Um estudo recente conduzido por pesquisadores da Fiocruz aponta que o estresse térmico pode ser responsável pelo aumento da mortalidade por doenças cardiovasculares e respiratórias em pessoas com idade maior de 45 anos, e por doenças respiratórias para pessoas com idade superior a 60 anos.

“A tendência é que, com o aumento da temperatura, o organismo reaja de alguma forma ao estresse térmico. Para as pessoas que têm problemas cardiovasculares ou alguma comorbidade, podem levar a situações mais sérias”, explica Sandra Hacon, professora da Ensp/Fiocruz e coordenadora do estudo, ao portal da fundação.

De acordo a pesquisadora, os serviços e os profissionais de saúde precisam se preparar para lidar com as altas temperaturas, identificando rapidamente os sintomas de estresse térmico.

“É um alerta da ciência para que os serviços de saúde se preparem. É necessário capacitar os profissionais de saúde, levar a informação, discutir e ter na área de saúde especialização sobre mudança do clima”, concluiu.

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