Como não surtar com a reabertura pós-quarentena de coronavírus

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Retomar atividades externas pode gerar estresse e ansiedade, o truque é organizar a agenda para fazer isso aos poucos (Foto: Getty Creative)

Lá fora, o cenário é caótico. De um lado, diz-se que ainda não é o momento de sair de casa para aqueles que têm a opção de continuarem no lugar. Por outro, shoppings e alguns serviços voltaram a abrir e fotos de ruas lotadas no centro de São Paulo ou na orla do Rio de Janeiro deixaram internautas indignados. Entre tantas informações cruzadas, o que sentimos no fim do dia é o estresse e a sobrecarga de não saber o que fazer.

Se, em um dia, muitos de nós se adaptaram ao homeoffice, no outro precisamos voltar à vida de escritório e transporte público. Retomar uma rotina semelhante àquela pré-quarentena parece algo desejável e muito esperado, porém, temos um fator extra: o medo tanto de pegar coronavírus, quanto do que vai acontecer com o mundo daqui para a frente.

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Se ficamos estressados ao entrar em quarentena, é de se esperar que passemos por outro período de estresse agora que vamos sair dela (ou, pelo menos, é o que tudo indica). E, nisso, fica mais uma vez a pergunta: como lidar com mais uma mudança?

Para Maria Francisca Mauro, psiquiatra, psicanalista e mestre pela UFRJ, essa nova fase de estresse pede por um treino que cada pessoa pode fazer para reverter aos poucos esse quadro: "O importante é que aqueles que estiverem passando por esse desconforto emocional tentem observar quais pontos estão mais difíceis", diz ela.

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Você pode fazer isso de três maneiras:

  • Reorganize-se aos poucos: se você se acostumou com uma rotina de isolamento, sem demandas de horários mais intensos, a dica é remontar esse dia a dia aos poucos para executar as atividades externas de uma forma mais confortável. Por exemplo: se você sabe que pode voltar a trabalhar fora a qualquer momento, comece a ajustar os seus horários de dormir e acordar considerando que isso vai acontecer em breve.

  • Reveja as prioridades: outro ponto é que muita gente utilizou o período de distanciamento social para cuidar mais de si, criando rotinas de autocuidado, leitura e até exercícios físicos. Com o retorno das atividades externas, você pode sentir uma pressão ou um incômodo de não conseguir fazer as atividades do jeito que estava fazendo antes. Nesse caso, olhe a sua agenda com cuidado e lembre-se de rever prioridades e encaixar o que você gosta nessa nova dinâmica.

  • Intensifique as precauções: o fato do processo de reabertura estar em andamento não significa que a pandemia está equacionada. Ou seja, o medo de contrair coronavírus ou transmitir a doença para alguém do grupo de risco pode dificultar essa retomada das atividades externas. Se esse é o seu caso, o ideal é reforçar as precauções (lembrar de sempre lavar as mãos, evitar o contato físico, usar máscaras...) para diminuir esse desconforto.

Como saber se estou estressado?

Com uma vontade tão grande de voltar a ver os amigos e familiares pode ser que você não perceba que está sofrendo de estresse, por isso a observação é tão importante nesse momento de retomada das atividades: "A pessoa pode apenas sentir algum desconforto, mas não identificar que, na realidade, estava se sentindo bem dentro do isolamento social", diz a psiquiatra. "Alguns se obrigam a ter o mesmo prazer de antes ou ter as mesmas vontades, entretanto, estamos passando por um período que ainda não é a realidade que conhecíamos previamente."

De acordo com ela, com as cidades esvaziadas, os comércios fechados e a noção de que estamos passando por uma pandemia, é preciso ter calma para perceber como a mudança de situação social está desencadeando sentimentos - seja raiva, tristeza, negação ou inquietação. "O reconhecimento se faz por meio de não apenas 'seguir a vida' no automático, mas se proporcionar uma reflexão perante as suas emoções", diz.

Maria também explica que é importante entender como o estresse funciona para poder identificá-lo. Segundo ela, ele é visto como uma pressão. Por mais que a situação não seja ideal, muitos perceberam, durante o período em casa, que podem ter uma vida menos atribulada, sem se sentirem presos a uma pressa constante para fazer muitas coisas ao mesmo tempo. "Essa transição pode propiciar que as pessoas modifiquem, quando possível, a sua rotina dentro de um modelo que não as sufoque tanto. De maneira geral, a principal consequência será uma mudança de alguns comportamentos, como frequentar ambientes públicos e transporte coletivo", reflete ela.

Com isso, a profissional explica que vamos poder observar dois tipos de comportamento: em um extremo pessoas com medo de frequentar certos ambientes por conta do risco de contaminação. De outro, pessoas tão desesperadas para sair de casa que vão lotar as ruas das suas cidades - e isso já é possível observar em alguns lugares do Brasil.

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Começar a retomada aos poucos, equilibrando atividades externas com momentos em casa é uma forma de diminuir o estresse da reabertura pós-quarentena (Foto: Getty Creative)

Afinal, é possível evitar o estresse gerado pela reabertura?

Já comentamos um pouco sobre maneiras de identificar pontos de desconforto para tornar essa transição mais tranquila, porém, Maria explica que o ideal é diluir os compromissos externos e organizá-los por blocos de turno (manhã e tarde) durante a semana. Assim, você gera um equilíbrio entre momentos fora de casa e momentos dentro de casa.

Some-se a isso o fato de que muitas empresas já estão repensando o seu modelo de jornada de trabalho, buscando um sistema rotativo entre os funcionários (alguns dias no escritório outros em homeoffice), outras definiram que não vão retornar aos escritórios e outras ainda farão esse retorno ao físico em etapas. Ou seja, são muitas premissas a se considerar.

"É necessário compreender que os primeiros dias serão mais duros e a tendência, ao longo do tempo, é que esse desconforto vá se atenuando. Entretanto, os que perceberem que o desconforto está aumentando - ou mesmo que se sentem sem controle emocional - é melhor cogitar a procura por ajuda de um profissional de saúde mental (psicólogo, psiquiatra)", recomenda ela.

Aceitar que as mudanças vão acontecer cada vez mais rápido e que, talvez, seja necessário um esquema de flexibilização e retomada do isolamento social até que se encontre uma vacina, é também um passo importante para evitar que o estresse volte ou piore a longo prazo - de acordo com Maria, é importante assumir uma postura de adaptação.

"O principal cuidado é verificar o que está ao seu alcance para mudar e controlar na sua própria rotina e a da família, além de reconhecer que o cenário nos impõe muitas incertezas. A insegurança não pode determinar uma paralisia, em que se aguarda uma resolução 'de fora' para providenciar o que é necessário", diz.

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