Estilista Bianca Gibbon celebra 10 anos de marca com coleção enxuta e venda somente pela internet

Gilberto Júnior
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Bianca Gibbon, de 42 anos, saca o celular para remontar a saga da marca que leva seu nome nos últimos meses. Depois de passear por uma série de fotos, a estilista carioca diz: “O ano passado não foi fácil... Mas para quem foi?”. Dona de um negócio pequeno, ela precisou “parar, respirar e entender o momento”. “Eu tinha uma loja em Ipanema e, de repente, me vi numa situação complicada. A solução que encontrei foi fechar as portas para poder pagar tudinho aos meus funcionários. Peguei os tecidos do estoque e fiz máscaras para doação. Cheguei a pensar em desistir da indústria da moda.”

Mas não desistiu. Entre março e dezembro, Bianca fez uma espécie de retrospectiva nas redes sociais, vendeu o acervo e ficou matutando uma forma de fazer a engrenagem funcionar mesmo diante de tantas restrições. “Sofri à beça, chorei bastante, mas resolvi seguir em frente. Estruturei o e-commerce para receber minha clientela, sempre acostumada a encontros presenciais”, conta a designer autoditada — formada, na verdade, em Arquitetura. “Na fase atual, bato cartão três vezes por semana num escritório no Centro do Rio; nos outros dias, trabalho de casa. É só uma mudança. E foram tantas ao longo de dez anos.”

A coleção Essencial, com 30 referências (no passado, esse número chegou a 230), é a celebração dessa primeira década. “Comecei confeccionando roupa infantil e fui caminhando despretensiosamente rumo ao prêt-à-porter feminino. Amo babados, laços e peças leves, que flutuam”, conta a estilista, indicando sua preferência pelo estilo romântico. “Pela primeira vez, investi somente em roupas lisas. A ideia era construir algo atemporal, que possa ser usado a qualquer momento. Quero focar em qualidade e exclusividade. Também escolhi tecidos naturais e cores primárias, que me pareceram perfeitos para esse recomeço.”

Cercada por livros de ícones da moda como Alexander McQueen e Coco Chanel na sala de seu apartamento, em frente à Praia de Ipanema, Bianca observa: “Não tem espaço para mais do mesmo. A indústria tende, a partir de agora, ser autoral, e contemplar o conforto e o estilo individual de cada um”.

São novos tempos, definitivamente.