'Estamos apavorados com tudo isso', diz engenheiro, que nega ter agredido fiscal da Vigilância Sanitária

Rafael Nascimento de Souza
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Engenheiro grava o rosto do superintendente de educação da Vigilância, Flávio Graça
Engenheiro grava o rosto do superintendente de educação da Vigilância, Flávio Graça

RIO — “Estamos hoje com medo da nossa integridade física. Desde o momento em que a reportagem foi ao ar as pessoas na internet começaram a nos ameaçar. Há 24 horas não dormimos, não comemos e só bebemos água. Estamos apavorados com tudo isso”. A declaração é do engenheiro que foi flagrado pela reportagem do Fantástico, da TV Globo, durante inspeção da Vigilância Sanitária, em bar da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Ele e sua mulher questionaram a atuação da equipe da prefeitura, com ataques ao superintendente de educação e projetos da Vigilância Sanitária, Flávio Graça.

"Estamos recebendo ameaças por telefone. Estão nos xingando, nos ameaçando, estamos apavorados. Eu não esperava essa repercussão. Estamos com medo de sair na rua. Não queremos nem pensar em sair às ruas", contou o engenheiro, que pediu para não ter seu nome revelado.

Ele afirma que não intimidou os servidores do munícipio. " Em nenhum momento houve agressão ou intimidação. Eu não tinha essa intenção. Como a mídia estava lá gravando, estávamos cansados (depois de um dia de trabalho) e havíamos acabado de ser expulsos do restaurante, ficamos exaltados. Volto a dizer: em nenhum momento houve agressão", disse. "Classifiquei que eu tinha direito de falar com ele (superintendente) porque sou pagador dos meus impostos. Quis questionar a metodologia da medição e o fiscal disse que era para eu procurar a superintendência para ver como era o método estabelecido", disse. "Então, eu me exaltei e disse que eu era o chefe dele, porque pagava meus impostos", contou

Segundo ele, sua conversa foi gravada pelo seu telefone. Além disso, o homem afirmou que todo o tempo havia policiais militares acompanhando todo o caso. "Tinham dois PMs à minha direita. Eu nunca vou agredir alguém. Ele não me fez nada. Agressão é uma resposta a uma agressão", defendeu o homem. Ao EXTRA, o engenheiro, que tem filho pequeno, disse que pretende fazer boletim de ocorrência e até cogita pedir proteção para o estado, no programa de proteção à testemunha.

Questionado se ele havia solicitado o auxílio emergencial do governo federal, o engenheiro confirmou o pedido e disse que até alguns dias estava desempregado e não viu problema pedir o beneficio. "Eu recebei, sim, os R$ 600 porque estava desempregado. Consegui emprego no meio da pandemia. Se for necessário, eu devolvo. Entendo que essa medida emergencial se aplica a pessoa que precisa. Naquele momento era o meu caso", revelou. Em nenhum momento, o engenheiro pediu desculpas para o fiscal da Vigilância Sanitária.