Estágio descontrolado de foguete chinês pode cair na Terra neste fim de semana

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No final de abril, a China lançou com sucesso o Tianhe, que será o módulo central da futura estação espacial Tiangong-3. O problema é que um dos estágios do foguete Long March 5B se manteve em órbita e deverá reentrar na atmosfera terrestre em breve, mas ainda não é possível prever exatamente quando isso irá ocorrer. Contudo, de acordo com o rastreamento do objeto, o estágio deverá cair na Terra neste fim de semana, provavelmente no sábado (8).

Após o posicionar o módulo na órbita, o primeiro estágio do foguete alcançou velocidade orbital e não reentrou na área determinada previamente. Agora, o estágio de 30 m de altura e 5 m de diâmetro segue em uma órbita de aproximadamente 162 km por 306 km de altitude — antes, o componente estava em uma órbita de 170 km por 372 km de altitude. Como não consegue mais reativar seus motores, o estágio central vai se chocando com as moléculas atmosféricas.

Então, de pouco a pouco, o componente é atraído pela gravidade da Terra. Mesmo assim, prever onde essa reentrada irá ocorrer é bastante complexo, porque flutuações atmosféricas somadas a outras variáveis e também à alta velocidade do objeto não permitem prever com exatidão onde o estágio irá reentrar, e nem quando isso acontecerá. Somente será possível obter estes dados algumas horas antes de o evento acontecer — mas, felizmente, já temos algumas estimativas.

O foguete Long March 5B (Imagem: Reprodução/CASC)
O foguete Long March 5B (Imagem: Reprodução/CASC)

Mike Howard, representante do Departamento de Defesa nos Estados Unidos, comentou na semana passada que "o Comando Espacial está ciente e rastreia a localização do Long March 5B, mas o ponto exato de entrada na atmosfera da Terra não poderá ser definido até estarmos a algumas horas da reentrada, o que deve acontecer por volta do dia 8", disse. Até lá, o 18º Esquadrão de Controle Espacial irá publicar atualizações diárias sobre a localização do objeto.

Já a Aerospace Corporation estima que o componente deverá retornar durante a madruga do dia 9 de maio, com uma margem de erro de mais ou menos 28 horas. Por outro lado, a Roscosmos, a agência espacial russa, comunicou que o sistema Automated Warning System on Hazardous Situations in Outer Space (ASPOS OKP) indica que o estágio deverá realizar uma reentrada descontrolada, e os cálculos dos especialistas russos apontam para uma janela de reentrada que se abre às 21h de 7 de maio e vai até as 17h do dia 9 de maio, no horário de Brasília.

As previsões devem ser refinadas nos próximos dias conforme o estágio se aproxima da Terra. Até o momento, a China não publicou informações sobre a situação do foguete, mas é certo que o país tem planos para realizar mais 10 lançamentos até o ano que vem com vários veículos para seguir na construção da estação espacial. O próximo lançamento deverá ocorrer em algumas semanas com um foguete Long March 7, para levar a nave cargueira Tianzhou-2 ao módulo Tianhe. Então, em junho, o módulo deverá receber os três primeiros taikonautas nas instalações.

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De fato, a maior preocupação relacionada à reentrada de estágios e os detritos deixados pela queima na atmosfera envolve os riscos de impactos em regiões habitadas, mas, para Jonathan McDowell, astrofísico do Centro de Astrofísica da Universidade de Harvard, não há motivos para preocupação: "não acho que as pessoas deveriam tomar precauções", disse em entrevista à CNN. “O risco de haver algum dano ou que os detritos atinjam alguém é bem pequeno — não negligenciável, porque pode acontecer —, mas a chance de cair em você é incrivelmente pequena".

Ele reforça ser impossível definir com precisão onde os detritos vão cair por causa da velocidade com a qual o foguete viaja: "esperamos que a reentrada aconteça entre os dias 8 e 9, mas, nesse período de dois dias, o foguete viaja pelo mundo 30 vezes", diz ele. Mesmo assim, McDowell acredita que os oceanos são a melhor aposta para o local de retorno dos detritos: "se você quer apostar em que lugar da Terra algo vai cair, aposte no Pacífico, porque ele cobre a maior parte do planeta", sugere.

Fonte: Canaltech

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