Espião de 83 anos protagoniza documentário chileno indicado ao Oscar que reflete sobre velhice

Lucila Sigal
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Maite Alberdi, Marisa Fernandez, Maria del Puy e Marcela Santibanez recebem prêmio no Festival de San Sebastian

Por Lucila Sigal

BUENOS AIRES (Reuters) - Um viúvo de 83 anos tem uma missão: infiltrar-se como espião em uma casa de repouso para investigar possíveis maus tratos, mas acaba criando laços de amizade e mostra alegrias e tristezas da velhice.

Embora pudesse se tratar do enredo de um filme de ficção, esta é a trama de "Agente Duplo", longa-metragem terno e comovente da cineasta chilena Maite Alberdi que concorre ao Oscar de melhor documentário e é o único filme latino-americano indicado a um prêmio da academia este ano.

Com altas doses de humor ácido, o documentário de 90 minutos conta a história de Sergio Chamy, um espião incomum que mal sabe manejar o celular e se interna de maneira incógnita em uma residência habitada por idosos de realidades diferentes, mas com um denominador comum: a solidão.

"O filme de detetives é só uma desculpa para falar de outro tema, e uma desculpa que é um ponto de partida gracioso e original... Não se tratava nem do caso nem do detetive", disse Alberdi, de 37 anos, em uma entrevista à Reuters pelo Zoom.

A diretora queria questionar uma representação da velhice que considera "estereotipada" e, a partir de um relato íntimo e universal, refletir sobre o abandono e a solidão de muitos idosos que moram em casas de repouso, a faixa etária com as taxas mais altas de suicídio no Chile, segundo Alberdi.

"Agente Duplo", disponível na Netflix, estreou em Sundance, ganho o prêmio do público no Festival de San Sebastián e foi finalista nos prêmios Goya.

(Por Lucila Sigal)