"Precisamos reduzir o consumo de carne para evitar outra pandemia", dizem especialistas

Vida e Estilo International
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Segundo os especialistas, diminuir o consumo de carne pode ajudar a prevenir futuras pandemias. (Getty Images)
Segundo os especialistas, diminuir o consumo de carne pode ajudar a prevenir futuras pandemias. (Getty Images)

A atual pandemia de coronavírus vem causando devastações em todo o mundo, com mais de 500.000 mortos até o momento. Com um terço do planeta em quarentena, a economia também sofreu um baque significativo.

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Muitos alegam que um surto desta escala não ocorria desde a gripe espanhola em 1918, que matou entre 20 e 50 milhões de pessoas em todo o mundo.

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Especialistas alertam que diversos fatores, desde a urbanização extensa à importação e exportação de animais, estão aproximando os seres humanos dos animais, aumentando o risco de que outro patógeno presente em outras espécies possa sofrer uma mutação e passar a infectar o homem. Segundo eles, para prevenir esse risco é preciso reduzir o consumo de carne e aumentar o consumo de vegetais.

Um especialista destacou que, se você não quiser reduzir o consumo de carne, é importante comprar de “fontes sustentáveis”. (Getty Images)
Um especialista destacou que, se você não quiser reduzir o consumo de carne, é importante comprar de “fontes sustentáveis”. (Getty Images)

Diminuir o consumo de carne “teria um grande impacto”

As doenças infecciosas podem surgir em animais selvagens ou domésticos, e também naqueles explorados pela pecuária. Após analisarem uma série de estudos, os especialistas encontraram 161 maneiras de se evitar outras pandemias.

Muitas delas são medidas políticas, incluindo leis para impedir o cruzamento de diferentes espécies ou práticas agrícolas que separam as áreas de pastagem de animais selvagens e de criação. Outras, no entanto, podem ser adotadas por cada um de nós.

Eles recomendam, por exemplo, manter uma dieta vegetariana para reduzir a demanda e o consumo de carne. No relatório sugerem que as atitudes dos consumidores podem ser “influenciadas” para “aumentar a aceitabilidade de produtos substitutos, de risco menor”.

Esses produtos incluem “substitutos vegetais ou sintéticos na alimentação, no vestuário e na medicina, no lugar de produtos derivados de animais, principalmente daquelas espécies em grande risco”.

Embora fazer estas mudanças não elimine completamente o risco de outra pandemia, elas podem reduzir as chances.

“Não podemos impedir completamente a ocorrência de novas pandemias, mas há diversas opções que podem diminuir substancialmente esse risco,” disse o Dr. Petrovan.

“A maioria dos patógenos zoonóticos [animais] não pode ser transmitida de ser humano para ser humano, mas alguns deles podem causar grandes epidemias.

Prevenir a sua transferência para os humanos é um enorme desafio para a sociedade e uma prioridade para proteger a saúde pública”.

‘Banir o comércio de animais selvagens não soluciona o problema’

Evidências sugerem que o coronavírus pode ter começado em morcegos antes de chegar aos seres humanos, possivelmente por meio das cobras ou dos pangolins.

Os primeiros infectados trabalhavam ou visitavam um mercado de frutos do mar e animais vivos na cidade chinesa de Wuhan, capital da província de Hubei.

Chamados de ‘mercados molhados’, esses locais vendem uma variedade de animais vivos e mortos, alguns dos quais são abatidos na frente dos clientes.

No início do surto de coronavírus, houve pedidos de que esses mercados fossem proibidos para prevenir futuras pandemias.

A Dra. Amy Hinsley, da Universidade de Oxford, se preocupa com a possibilidade de que, “se o comércio de animais selvagens for banido, possa surgir um mercado negro”.

“Um dos maiores exemplos que as pessoas associam ao comércio de animais selvagens é o pangolim; no entanto, a sua comercialização já é proibida,” disse ela.

“Se você banir algo, as pessoas não param de adquiri-lo. Haverá uma sensação de status ainda maior ao se conseguir algo ilegal”.

Dra. Hughes, que mora na China, acrescentou: “Quando eu quero comprar frutas, vou a um mercado molhado”.

“Uma grande parte desses mercados é legal; é como as pessoas comem na China,” acrescentou.

“As pessoas precisam comer. Nós precisamos pensar em como minimizar o risco. Banir o comércio de animais selvagens não vai solucionar o problema”.

Os especialistas também apontaram que as populações indígenas de muitas partes do mundo precisam comer animais selvagens porque a quantidade de chuvas das regiões onde habitam é insuficiente para a agricultura.

“Grandes comunidades indígenas precisam da proteína fornecida pela carne de animais selvagens,” disse o Dr. Petrovan. “É muito importante que essas pessoas sejam levadas em consideração [antes de mudarmos as políticas]”.

Outras epidemias, como a de HIV, surgiram sem a presença dos mercados molhados.

“Muitas campanhas recentes se concentraram em banir o comércio de animais selvagens. Isso é muito importante, mas é apenas uma das muitas rotas potenciais de infecção,” disse o professor Sutherland.

“Não podemos partir do princípio de que a próxima pandemia surgirá da mesma forma que a COVID-19. Precisamos agir em uma escala mais ampla para diminuir o risco”.

COVID-19 é a doença respiratória que pode ser desencadeada pelo coronavírus.

Alexandra Thompson