Especialistas afirmam que Brasil poderia criar estrutura para receber vacina da Pfizer

Henrique Gomes Batista
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SÃO PAULO — O desafio logístico para a vacina contra a Covid-19 da Pfizer, que necessita de conservação a -70ºC, é comparável, segundo especialistas, às dificuldades para obtenção de respiradores no começo da pandemia. Este foi um dos motivos apontados pelo governo federal para não priorizar a compra do imunizante. No entanto, como naquela vez, é possível equacionar esta logística, com planejamento, investimento e prioridade política, aproveitando as brechas que a própria fabricante dá no transporte e armazenamento das vacinas, e incentivando a fabricação de super refrigeradores.

Especialistas entrevistados pelo GLOBO ressaltam que a necessidade de armazenamento do imunizante a baixas temperaturas não deve ser vista como um impeditivo para a distribuição da vacina no Brasil, já que o país tem tecnologia para fazer o seu transporte. Mas o planejamento da logística esbarra na politização sobre o tema dentro do governo e na falta de diálogo com os laboratórios.

— A questão toda é que o debate da vacina está politizado e ideologizado. Do ponto de vista técnico, o país precisava estar conversando com todos os fabricantes, ver opções — explica Gonzalo Vecina Neto, sanitarista da USP e fundador da Anvisa. — Uma coisa é a Pfizer entregar todas as doses em um depósito central e a distribuição ficar sob cargo do governo federal, outra é negociar com o laboratório a entrega em diversos pontos do país.