Especialista diz que liberação para shopping funcionar 24 horas passa mensagem errada de normalidade: ‘Não é hora’

Thaís Sousa
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Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo

O comitê científico da Prefeitura do Rio havia recomendado, na quarta-feira (2), que o município recuasse na flexibilização, mas não foi ouvido. O grupo de notáveis sugeriu, entre outras medidas, a proibição da permanência na areia da praia e do banho de mar, a suspensão de todo evento com público e a determinação para que lojas de rua e de shopping, incluindo galerias e centros comerciais, passassem a abrir mais tarde, às 11h. Em vez disso, o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) e o governador em exercício Cláudio Castro (PSC) anunciaram nesta sexta-feira (4) que shoppings podem passar a funcionar 24 horas. O objetivo é dar mais tempo para que os consumidores façam suas compras, diminuindo, assim, a aglomeração nas lojas. Especialistas ouvidos pelo EXTRA criticaram a decisão.

— É uma medida artificial quanto à eficácia e equivocada quanto à preservação. Afinal, quem vai limpar esses espaços 24 horas por dia? — questionou a pneumologista da Fiocruz Margareth Dalcolmo.

A medida também preocupa Margareth Portela, pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz. Para ela, a decisão do prefeito e do governador transmite à população uma mensagem errada de normalidade:

— A gente está com todos os alertas vermelhos de ocupação hospitalar. Pacientes estão aguardando em filas de UTI. Não é hora de aumentar a circulação. Muito pelo contrário, as pessoas deveriam ser incentivadas a ficar em casa. Não teremos um Natal como os outros, e a população tem que se conscientizar disso. A vida ainda não voltou ao normal.

Ao anunciar que a medida valerá para todo o estado, o governador em exercício afirmou que a autorização para o horário integral não tem prazo para acabar.

— Vai ser válida durante todo o tempo em que tiver essa situação de crise. Quando voltarmos ao normal, definiremos o fim dessa iniciativa — afirmou Castro.