Escondida na Apple TV+, Severance faz ótima mistura de Lost, Corra! e Black Mirror

'Ruptura', da Apple TV+, é a série do momento (Foto: Divulgação)
'Ruptura', da Apple TV+, é a série do momento (Foto: Divulgação)

E se você pudesse separar a sua vida pessoal da vida no trabalho de forma definitiva? Quando você entra no trabalho você literalmente esquece a vida lá fora, quando está em casa nunca se lembra do trabalho. Essa é a proposta de Severance (ou Ruptura), nova série da Apple TV Plus, serviço de streaming da fabricante do iPhone. Ela tem episódios dirigidos por Ben Stiller, mistura conceitos de filosofia, ficção científica e psicologia, e traz um elenco com nomes grandes como John Turturro, Adam Scott e Christopher Walken. É uma mistura fascinante de Lost, Black Mirror, Corra! e Dark escondida num streaming cada vez mais atraente.

Entrar nos detalhes da história estragaria a experiência de acompanhar os oito capítulos, que exigem atenção e, devido à estética e trilha minimalistas, pode cansar os menos pacientes. A jornada de Mark e seus amigos do trabalho, porém, vale a maratona pois não há em 2022 uma série que evoque tantas perguntas e teorias quanto essa. É o tipo de série que se fosse exibida pela Netflix, por exemplo, seria tema de discussão na mesa de bar e nas timelines internet a fora - e com todo mérito, pois o trabalho do criador Dan Erickson é ótimo.

No começo, Severance passa a sensação de ser mais sobre visual do que texto. A lentidão da narrativa com as piadas soltas sobre o sistema capitalista montam uma falsa impressão de certa soberba por parte do roteiro; meio que aquele sentimento de "lá vem o textão". Acontece que, depois de deixar claro seus pontos e análise sobre trabalho e vida pessoal, a série se entrega a uma construção do clímax e teorias da conspiração que vai deixar inesperadamente o espectador preso na cadeira, e no meu caso, 100% envolvido com os problemas dos quatro principais personagens.

É uma lenta evolução da trajetória, muito bem atuada pelo elenco inteiro, mas que traz doses suaves de melancolia, um pouco de horror e romance aos corredores da Lumen, empresa que faz o processo que separa os "eus" da série. O maior dos problemas de Severance talvez seja não ter com quem falar sobre, pois presa em um serviço como a Apple TV, que no Brasil ainda é pouco conhecida, não consegue alcance suficiente para virar assunto nas rodas de amigos. Curiosamente é como se eu estivesse preso dentro de uma realidade onde só eu achasse ela incrível; e tal qual os personagens de lá, começo a me questionar se de fato faz sentido - o que deixa ainda mais forte e atual a proposta da série. Quão real é o que você vive se não tem uma perspectiva para comparar?

*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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