Carnaval: relembre quando as escolas de samba causaram na avenida

Carnaval é sinônimo de diversão, mas há algum tempo também se tornou um espaço para protestos e críticas sociais e políticas, usando muito humor e ironia. Desde os clássicos desfiles cheio de atitude comandados pelo carnavalesco Joãosinho Trinta, até os desfiles que protestaram no ano passado, o Carnaval do Rio de Janeiro tem vários momentos que ficaram marcados na história. 

Já conhece o Instagram do Yahoo Vida e Estilo? Siga a gente!

Relembre 6 momentos que marcaram o Carnaval carioca e prepare-se para as polêmicas e protestos que prometem ganhar as ruas e blocos neste ano também!

Leia também

Cristo mendigo

Em 1989, o famoso carnavalesco Joãosinho Trinta (que faleceu em 2011, mas marcou o Carnaval com desfiles memoráveis) apresentou com a Beija-Flor o enredo ‘Ratos e urubus, larguem minha fantasia’ e trouxe ninguém mais, ninguém menos do que Jesus Cristo para a avenida. A ideia era de que a réplica que fizeram do Cristo Redentor aparecesse como um mendigo.  Mas a Igreja Católica conseguiu proibir a apresentação com uma ação na Justiça e, em protesto, o carnavalesco levou para o Sambódromo a alegoria coberta por um plástico preto e a frase “mesmo proibido, olhai por nós”. 

Mesmo com o carro alegórico vetado, a Beija-Flor foi polêmica (Reprodução)

O desfile ainda contou com uma ala de componentes vestidos como mendigos que escalavam os camarotes e “roubavam” salgadinhos. A ideia era mostrar a enorme desigualdade social do país. A polêmica foi tanta que até hoje o desfile é lembrado e já foi revisitado diversas vezes tanto pela própria Beija-Flor, como por outras escolas de samba.

A camisinha censurada

Em 2004, novamente uma ideia de Joãosinho Trinta deu o que falar. Com o enredo ‘Vamos vestir a camisinha, meu amor’, a Grande Rio entrou na Sapucaí com dois carros alegóricos cobertos com tarjas pretas e a palavra “censurado”, depois de terem sido proibidos de desfilar pela Promotoria de Infância e Juventude a pedido da Igreja Católica por trazerem cenas de sexo nos carros alegóricos. Com tantos problemas e repercussão, a escola terminou o campeonato em 10º lugar e o polêmico carnavalesco foi demitido horas antes da apuração.

Os carros foram censurados (Reprodução)

Crivella e a redução 

Em 2018, a Mangueira aproveitou a Sapucaí para apontar a insatisfação das escolas de samba com o prefeito Marcelo Crivella, representado-o por um Judas enforcado (em uma alusão à traição que o prefeito teria feito com o Carnaval carioca). A representação foi em resposta à decisão do político de cortar as verbas para a festa naquele ano. 

A decisão do prefeito não agradou a Mangueira (Reprodução)

Na época, o prefeito fez uma declaração que também foi bastante polêmica por seu teor de ironia: “Vou criar o bloco conversando é que a gente se entende”, disse rebatendo as críticas feitas por sua posição. 

Crivella chegou, inclusive, a comparar a discussão com as dores de um parto. “Cólicas não são para desanimar. As cólicas de uma mulher que vai dar à luz são redentoras”, disse. Vale lembrar que o prefeito, durante sua campanha eleitoral em 2016, afirmou que manteria o patrocínio para as escolas e recebeu apoio dos dirigentes das escolas.

Vila Isabel e Marielle Franco

As tradicionais escolas de samba também aproveitaram a Marquês de Sapucaí para fazer um protesto em forma de música em 2019. A Vila Isabel foi uma das que marcou o segundo dia de desfile trazendo como uma de suas principais passagens o carro alegórico para falar sobre a abolição da escravatura.

A escola também trouxe uma homenagem à ex-vereadora Marielle Franco, assassinada juntamente com seu motorista Anderson Gomes a tiros em 2018 no Estácio, Região Central do Rio de Janeiro – crime não esclarecido até hoje. No desfile, familiares de Marielle fizeram parte do carro alegórico, junto com a faixa “Marielle presente”.

Paraíso do Tuiuti

Outra escola de samba que incluiu críticas em seu desfile em 2019 foi a Paraíso do Tuiuti. Ela levou mensagens de protesto político e exibiu a polarização que divide o país com o governo de Jair Bolsonaro (sem partido). Isso ficou bem claro por exemplo com a ala “A peleja entre o bode da resistência e a coxinha ultraconservadora”, em que coxinhas seguravam armas e bodes utilizavam vermelho – uma alusão ao partido opositor PT.