Escola alvo de chacina em Suzano realiza mutirão de atendimento psicológico

(AP Photo/Andre Penner)

Por Mariana Nakata

A Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, reabriu às 10 da manhã da última segunda (18), após o massacre do último dia 13, que deixou 10 mortos, entre alunos, funcionários, atiradores e o tio de um dos assassinos. Ao contrário das demais escolas da cidade, que retomaram as aulas normais, o centro de ensino não teve atividades pedagógicas.

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Sem programação obrigatória, a Raul Brasil tem trabalhado no acolhimento das vítimas ao longo de toda a semana, em atendimentos realizados por 20 profissionais de educação disponibilizados pelo governo estadual e por uma equipe de saúde da cidade. O objetivo é oferecer suporte psicossocial a alunos, funcionários e comunidade.

O Caps (Centro de Atenção Psicossocial) da cidade também realiza, até sexta-feira, duas rodas de conversa diárias, das 9 às 11 e das 13h às 15 horas. Os atendimentos acontecem em grupos de 20 pessoas, em ordem de chegada, na rua Otávio Miguel da Silva, 187, bairro Jardim Imperador.

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28% das pessoas que testemunham grandes crimes e tragédias desenvolvem Transtorno do Estresse Pós Traumático, segundo a organização norte-americana National Center for PTSD. Mesmo aqueles que não presenciaram o ocorrido, mas tiveram contato com vídeos que mostram explicitamente a violência, estão sujeitos a desenvolver o transtorno. Familiares e pessoas próximas das vítimas também devem ficar atentos aos sintomas.

Segundo a psicóloga Cláudia Dias Prioste, professora da Unesp – Araraquara, a reação ao trauma varia de pessoa para pessoa. Pode haver negação, frieza ou racionalização do acontecido. Aqueles que desenvolvem o Transtorno do Estresse Pós Traumático costumam apresentar sinais logo após o ocorrido mas, excepcionalmente, os sintomas surgem após o período de negação, que pode durar algumas semanas.

O luto, segundo a psicóloga, é saudável e evita o processo de negação. Mas sinais como pesadelos constantes, medo que a tragédia se repita, irritabilidade, temor de voltar ao local do crime, insônia, lembranças intensas que voltam à memória repetidamente e sintomas físicos, como palpitações, dificuldade para respirar, mal estar, entorpecimento e desmaios são alertas de que é importante buscar ajuda profissional.

Cláudia defende que, independente da reação apresentada pelos sobreviventes do massacre, todos devem passar por atendimento psicológico, indispensável para que as vítimas adquiram recursos para lidar com o trauma e possam criar outro significado, ou seja, novas memórias para a situação presenciada.

Essa ressignificação evita que a vítima reviva repetida e excessivamente as lembranças do trauma, que podem se transformar em uma ‘muleta’ para o isolamento e para a não retomada de suas atividades rotineiras”, explica a psicóloga.