É errado fazerem um filme sobre Suzane von Richthofen?

A atriz Carla Diaz, na primeira imagem caracterizada como Suzane Von Richthofen (Imagem: divulgação Galeria)

A notícia de que Carla Diaz será Suzane Von Richthofen nos cinemas, divulgada há dez dias, gerou uma onda de comentários na internet. Aqui mesmo, no texto do Yahoo! sobre o assunto, leitores manifestaram sua revolta. “Absurdo gastar dinheiro pra fazer um filme desses”, “Vergonha”, “Era só o que faltava”, foram algumas das mensagens mais comuns.

Já conhece o Instagram do Yahoo Vida e Estilo? Segue a gente!

É normal que um filme que tem como mote um dos crimes mais chocantes do país cause esse tipo de reação. Provavalmente a equipe até mesmo conta com isso inicialmente, afinal é impossível que uma produção com esse assunto passe despercebida.

Leia também:

Porém, vale lembrar que tragédias reais costumam ser recontadas no cinema, e que isso não é por definição algo puramente feito com sentido apenas de se aproveitar da situação. A série ‘Chernobyl’, por exemplo, é uma das produções televisivas mais elogiadas do ano, mesmo falando de um acidente nuclear devastador que fez milhares de vítimas - o número exato ainda é motivo de debate, mais de 30 anos depois.

É impossível dizer que a produção exibida pelo canal HBO deixou de respeitar aqueles que perderam a vida ali. Mais que isso: deixa claro que fatores como negligência, soberba e falta de preparo foram determinantes para o desastre, servindo como uma espécie de guia para que esse tipo de erro não se repita.

Nos EUA, capital mundial do cinema, alguns dos mais terríveis serial killers já tiveram versões para cinema. Apenas neste ano Ted Bundy foi interpretado por Zac Efron em ‘Extremamente Cruel, Malvado e Perverso’ (ainda inédito no Brasil) e Charles Manson é um dos personagens de ‘Era uma Vez em Hollywood’, novo filme de Quentin Tarantino, que estreia dia 15 de agosto.

Quinze anos atrás, em 2004, Charlize Theron ganhou o Oscar de melhor atriz por sua interpretação em ‘Monster - Desejo Assassino’, interpretando Aileen Wuornos, mulher que na vida real matou seis homens e foi condenada à morte por injeção letal.

Se a atuação de Carla Diaz ou o filme ‘A Menina que Matou os Pais’ terão o mesmo nível de reconhecimento ou ficarão reduzido a um viés sensacionalista, ainda é muito cedo para dizer. Mas soa no mínimo estranho que alguém que cresceu vendo obras como as citadas sinta-se pessoalmente ofendido com o anúncio da produção nacional.

Além de entretenimento, a arte é também uma forma de experimentar aspectos mais sombrios, mas que fazem parte do mundo onde vivemos. O bom senso dos envolvidos na produção na hora de tratar de um caso delicado como o de Suzane Von Richthofen será determinante. Se um resultado de qualidade surgir a partir de algo inegalvamente terrível, não seria a primeira vez.