Erick Jacquin diz ter tido vontade de abandonar Pesadelo na Cozinha e que chorou após brigas

LEONARDO VOLPATO
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 27.11.2018: O chef Erick Jacquin durante a disputa da Mesa das Estrelas no BSOP Millions, em São Paulo. (Foto: Diego Soares/Código19/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Conhecido das noites de domingo por ser jurado do MasterChef (Band), o cozinheiro Erick Jacquin, 54, agora vai mostrar seu lado bravo ao tentar salvar restaurantes da crise na segunda temporada do Pesadelo na Cozinha, que estreia nesta terça-feira (27).

A atração conta com sete estabelecimentos que estão prestes a fechar as portas. Jacquin vai até cada um deles, come a comida e aponta os problemas que fazem com que o negócio não decole. Esse processo, diz o chef, não é fácil. Não foram poucas as vezes em que ele precisou se ausentar da gravação para chorar.

"O grande problema de todos os estabelecimentos que fui é moral. Esses donos de restaurantes brigam todo dia, é uma luta para não brigar, para não se entenderem, e se juntarem. Ficam sem se falar. Tem gente que trabalha em família. Não admitia essa situação e o diretor me pedia calma. Fui duro, exigente, quase quebrei tudo e saía para chorar", conta o chef.

Na dinâmica do programa, Jacquin começa indo até o restaurante para degustar a comida. Depois de comer e detectar os problemas, ele vai conhecer a cozinha e prepara um novo prato que deve ser feito pelos chefes do local.

O próximo passo é um bate-papo para introjetar novos conceitos à equipe e aos donos do restaurante, que muitas vezes têm ideias ultrapassadas de como gerenciar um negócio. A última parte é quando o chef francês reformula o estabelecimento e prepara um novo cardápio antes da reabertura do espaço.

Até que isso aconteça, há muitas brigas, discussões e até palavrões de parte a parte. "Muitos dos donos não entendem o que eu quero, me xingam na minha frente e pelas costas, não querem mudar. Sou muito fácil de estourar, não suporto falta de respeito comigo, com os clientes, com a mercadoria", revela Jacquin. 

Ele afirma ainda que estará ainda mais bravo nesta temporada que na primeira. Na estreia, o chef vai até um restaurante de comida nordestina, localizado em Guarulhos (Grande SP).  Em um dos episódios, Jacquin conta que se surpreendeu negativamente como em nenhum outro. Ele encontrou carnes descongelando no chão, e quando foi ver o motivo descobriu que o freezer era desligado durante a noite.

 "O cara me disse que era um homem de visão. Desligando o freezer ele conseguia economizar 14% da conta de luz. Fiquei louco", adianta. Na primeira temporada, foram 13 os estabelecimentos mudados pelo chef e sua equipe de pintores, eletricistas, pedreiros e ajudantes. Desses, quatro fecharam as portas e, um deles, inclusive, segundo Jacquin, abriu uma segunda unidade. 

"É sempre difícil entrar na casa do outro, falar que está tudo errado e que sua comida é uma merda. A cozinha é o único lugar onde não há democracia, e eu acho normal. Às vezes, usamos palavrões fortes, mas com o tempo eles vão percebendo que eu estou certo. Não tomo decisões sem consultar equipe, sem analisar", conta.

Na atual temporada serão sete restaurantes que terão a visita do chef. Erick Jacquin diz que a temporada está tão surpreendente que há um momento em que ele pensa em largar tudo, abandonar o programa. "Tem um restaurante que fizemos que falei: 'vamos embora, vamos parar agora'. Fiz a besteira de comer a comida antes de conhecer a cozinha. Isso foi um problema, mas fui convencido de que desafio era maior."

Todo o processo de mudança de um restaurante, que passa desde a concepção de novos pratos até a fachada e os ambientes, dura cinco dias -a equipe se esforça para que tudo fique pronto nesse período. De acordo com Jacquin, o mais importante para os donos dos novos estabelecimentos não é o dia que eles abrem as portas totalmente remodelados, é quando o programa vai ao ar na TV.

"Digo para eles se prepararem, pois no dia seguinte à exibição eles vão lotar e precisam estar preparados", diz o cozinheiro, que é uma das melhores pessoas para ajudar os outros. Jacquin teve problemas financeiros graves em um antigo restaurante que fechou as portas.

"Por ter quebrado, eu posso ajudar os outros. Tudo o que eu passei eu paguei, e foi aprendizado. Não abaixei os braços. E nos restaurantes do Pesadelo eu peço isso a eles", explica. "A gente acha que a vida de chef de cozinha é só capa de revista, mas é um mundo diferente. Há muita gente que luta todo dia para abrir e não fechar. Que vai de ônibus trabalhar, fecha 0h30 e corre risco de ser assaltado. Descobri isso nessa temporada", completa.

A partir do dia 8 de setembro, às 20h, a Band exibe ainda o programa +Pesadelo na Cozinha. A atração, todos os domingos, reapresentará o episódio levado ao ar às terças e trará conteúdos extras. O Pesadelo na Cozinha, versão brasileira do formato britânico Kitchen Nightmares, também será exibido às sextas-feiras no Discovery Home & Health, a partir do dia 6, às 20h35.