What If: Episódio 5 - Crítica do Chippu

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Este texto contém spoilers para "O Que Aconteceria Se... Zumbis", quinto episódio de What If...?


É fácil chegar na premissa do Marvel Zombies. E se um vírus infectasse a população da Terra e transformasse até mesmo os mais poderosos heróis em zumbis? Este famoso arco das HQs de What If...? é a fonte do episódio mais aguardado por uma grande parcela de fãs dos quadrinhos da editora. Como misturar isso com o MCU e seus acontecimentos? Quem sobreviverá? Como é ver os Vingadores mortos-vivos?


Aqui, Bruce Banner (Mark Ruffalo) cai na Terra para avisar a todos sobre Thanos e descobre um planeta desolado por criaturas canibais, mas ainda capazes de usar seus poderes e habilidades, como fica claro para o cientista de radiação ao ser atacado pelo Homem de Ferro, Doutor Estranho e Wong. Entre os poucos sobreviventes estão Hope Van Dyne (Evangeline Lily), Okoye (Danai Gurira), Bucky (Sebastian Stan), Sharon Carter (Emily VanCamp), Happy Hogan (Jon Favreau), Frank (David Dastmalchian) - um dos amigos ladrões de Scott Lang (Paul Rudd) - e o Homem-Aranha (aqui vivido por Hudson Thames, não Tom Holland).


A chegada do vírus no planeta é a primeira sacada inteligente do episódio. Ele não vem do espaço ou de outro timeline, mas sim do Reino Quântico, trazido por Hank Pym em suas tentativas de encontrar Janet, sua esposa, por lá. Scott foi o primeiro a morrer e depois todos os Vingadores. Quando os heróis mais poderosos da Terra se juntam ao exército dos mortos-vivos, ainda capazes de usar seus poderes e retendo um intelecto básico o suficiente para saber lutar e atacar, a situação fica irreversível para a humanidade. Banner e essa equipe sobrevivente precisa, agora, lutar para chegar à base da SHIELD onde, supostamente, alguém encontrou a cura.


A jornada até lá constitui um dos episódios mais sombrios de What If até aqui, mostrando diversos heróis populares sendo despedaçados pelas mandíbulas frias e famintas dos monstros ao seu redor, versões apodrecendo de outros personagens precisando ser decapitados para morrer e até mesmo Vingadores tomando decisões imorais e questionáveis, como o Visão (Paul Bettany) faz ao dar pedaços de humanos, incluindo a perna do ainda vivo T'Challa (Chadwick Boseman, sempre emocionante) à Wanda para satisfazer sua fome. Essa, talvez, seja a escolha mais ousada do enredo, e ela se beneficia de ter saído após WandaVision, quando o público já sabe o potencial destrutivo do amor entre os dois.


O roteiro de Matthew Chauncey é duro, às vezes, de se engolir e trágico em diversos momentos, mas é admirável ver como a série não foge das consequências naturalmente sombrias de um apocalipse zumbi envolvendo estes personagens. E não podemos negar - é divertido ver versões zumbis dos heróis e vilões da Marvel. Wanda se torna basicamente uma bruxa, sendo descrita pelo russo Frank como Baba Yaga; Hope eventualmente é infectada e usando seu poder de aumentar tamanho, vira um Zumbi gigante e assim vai. As soluções da equipe para a pergunta titular do episódio são criativas, divertidas e sempre nos deixam com vontade de ver mais deste mundo, uma característica comum a quase tudo de What If até aqui.


O humor, entretanto, não está perdido e serve como equilíbrio natural e bem-vindo às trevas da premissa. A melhor piada vem quando descobrimos que o Visão, apesar dos seus erros, conseguiu desenvolver uma cura (o vírus ataca a mente, sua Joia da Mente, então, é a solução natural). Sua primeira cobaia foi Scott Lang, mas infelizmente só sua cabeça sobreviveu e agora vive numa jarra, basicamente. Rudd, um excelente ator cômico, precisa se controlar para não deixar sua risada escapar mesmo através da dublagem ao aproveitar a situação para contar ótimas piadas de tiozão.


Mas o maior símbolo deste humor é Peter Parker. O Homem-Aranha basicamente sobrevive ao apocalipse zumbi por ter visto filmes de terror o suficiente para saber como se comportar (não se separar, não contar vitória antes da hora) e se torna uma espécie de mentor inesperado para o grupo. Até Okoye admite suas razões. Mas mais importante é sua função como coração da equipe, se não do mundo. Em determinado momento, este bom-humor e otimismo persistentes são questionados por Hope. A resposta de Peter nos quebra e aquece simultaneamente.


O Homem-Aranha conhece perdas como poucas pessoas do universo Marvel, e mesmo não sendo Tom Holland, Thames entrega uma das melhores dublagens da série (ainda sofrendo do problema de ser o único ator diferente em meio ao elenco original, inevitavelmente destoando do resto) ao revelar o segredo de Parker para permanecer sorrindo; ele teve prática. Peter revela ter perdido os pais, Sr. Stark e vários amigos e familiares, incluindo Tio Ben. A primeira menção do nome de Ben Parker no MCU vem num episódio de uma série animada imaginando um ataque zumbi à Terra.


Mas o roteiro usa o núcleo emocional do Homem-Aranha e sua conexão com perdas com tanta eficiência e qualidade, que é impossível tratar esse momento como um desperdício. E daí se não veio da boca de Tom Holland? Este episódio captura a essência de Peter Parker, sempre um raio de luz em meio à escuridão, fazendo piadas e balançando teias independente das circunstâncias ao seu redor, insistindo no otimismo e heroísmo mesmo quando figuras antes dignas de levantar o Mjolnir se corrompem. Esse é o Homem-Aranha.


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