Epidemia de violência doméstica assola o Brasil, diz ONG de direitos humanos

Epidemia de violência no Brasil – Reprodução/Pixabay PublicDomainPictures

Que o Brasil é um país violento, todos sabemos. Mas a situação é muito pior do que imaginamos e segundo um relatório da ONG Human Rights Watch, o país passa por uma epidemia de violência doméstica e superlotação do sistema carcerário.

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A pesquisa foi divulgada na última quinta-feira (17) e analisa problemas que dizem respeito aos direitos humanos em 90 países. Nela, um dos tópicos apontados sobre o Brasil é a violência doméstica contra a mulher e a falta de investigação dos casos. Isso faz com que muitos dos responsáveis por esses atos acabem nem mesmo sendo processados.

Só em 2017, mais de 1,2 milhões de casos ficaram pendentes nos tribunais do país. Isso leva a outro problema sobre a Lei Maria da Penha implementada em 2006, e que ainda está incompleta.

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O atual presidente Jair Bolsonaro também foi citado pela Human Rights Watch por conta de suas declarações racistas, misóginas e homofóbicas. O relatório aponta que ano passado, a violência alcançou um novo recorde no Brasil com cerca de 54 mil assassinatos no ano anterior.

Os últimos dados coletados são de 2017 e mostram que 4.539 mulheres foram assassinadas e 1.133 mortes foram classificadas como feminicídio. Mas muito provavelmente esse número é ainda maior, já que muitos casos não são classificados como feminicídio.

O problema do sistema carcerário é outra realidade apontada pela ONG. Em junho de 2016, 726 pessoas estavam presas no Brasil, mas as penitenciárias possuíam capacidade para apenas metade delas. Em 2018, o número subiu para 842 mil.

Educação e saúde são duas questões de alarme na vida dos presidiários e o relatório diz que menos de 15% deles estudam ou trabalham. A assistência médica é precária e muitos não tem acesso ao atendimento básico. Em conclusão, a Human Rights Watch afirma isso torna impossível o controle das prisões.