Enzo Celulari relativiza desemprego, insegurança alimentar e alta da carne: "Consumo consciente?"

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Enzo Celulari se meteu em uma polêmica (reprodução / Instagram @enzocelulari)
Enzo Celulari se meteu em uma polêmica (reprodução / Instagram @enzocelulari)

Enzo Celulari foi um dos assuntos mais comentados desta quarta-feira (26) após fazer um tuíte um tanto controverso. O filho de Claudia Raia e Edson Celulari tentou relativizar a alta do preço das carnes com o consumo consciente da proteína.

“Consumo de carne no Brasil cai pra menor nível em 25 anos: é o preço que tá alto ou os consumidores que estão mais conscientes?", questionou o empresário nas redes sociais. A pergunta levou os internautas a entender a desconexão de Enzo com a realidade do país.

Enzo Celulari se meteu em uma polêmica (reprodução / Instagram @enzocelulari)
Enzo Celulari se meteu em uma polêmica (reprodução / Instagram @enzocelulari)

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“É sim, muita consciência Enzo Celulari. Eu e o restante da população brasileira estamos conscientes de que não temos dinheiro pra comprar carne, infelizmente.... Assim como muitos não tem dinheiro pra comprar arroz, feijão e pão”, escreveu um tuiteiro.

Uma outra escreveu: “Os famosos estão vivendo em um mundo de Alice?”. Outra postou sua história: “Ela faz bico e eu também vendo coisas na rua. Mas nem isso dá uma boa renda. O auxílio é de R$ 250, o aluguel aqui em casa é R$ 350. Temos que nos virar pra nós alimentar, não romantize a minha fome, não romantize minha mãe passar mal na rua porque não tá se alimentando”, escreveu Natália.

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O ativista De Lucca escreveu: “Sim, Enzo Celulari, um quarto da população brasileira despertou para o veganismo/vegetarianismo em dois anos por absoluta iluminação mística, e não porque a miséria e a carestia estão aumentando descontroladamente no governo de Jair Bolsonaro.”

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Felipe Neto tentou minimizar a pergunta do namorado de Bruna Marquezine: “O hate que vocês tão jogando pro Enzo Celulari é de uma arrogância intelectual tão pedante. Sim, o cara é filho de 2 milionários. Óbvio que ele não tem noção da realidade econômica da pobreza no Brasil. Mas o cara fez uma pergunta! E tá do nosso lado contra o Bozo!”, apontou.

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Realidade do país

Desde o início da pandemia do coronavírus no Brasil a situação da população mudou muito. Segundo dados do relatório ‘Food for Justice’, da Universidade Federal de Minas Gerais e da Universidade de Brasília, os números não são felizes.

“Os resultados demonstram que 59% dos domicílios entrevistados estavam em situação de insegurança alimentar durante a pandemia e parte significativa deles diminuiu o consumo de alimentos importantes para a dieta regular da população - 44% reduziram o consumo de carnes e 41% o consumo de frutas”, aponta.

Insegurança alimentar é usada quando uma pessoa consome menos nutrientes necessários para uma dieta saudável em um dia. Isso pode ocorrer comendo menos comida, ou menos ingredientes, ou menos refeições durante um dia. Acredita-se que mais de 125 milhões de pessoas estão nessa faixa, ou seja, mais de metade da população do país.

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Segundo informações da Fundação Getúlio Vargas, 27,2 milhões de pessoas voltaram à pobreza extrema no país. Isso significa que estas pessoas sobrevivem com menos de R$ 160 por mês e não conseguem se alimentar ou pagar aluguel e contas auxiliares.

A crise alimentar no Brasil se agravou com o aumento do desemprego. Já são 14,4 milhões de pessoas sem trabalho formal no país, o maior número desde 2012. Isso significa que mais de 14 milhões de pessoas não tem uma fonte formal de renda. Os dados são da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Consumo de carne

O consumo de carne no Brasil caiu cerca de 40% pela população brasileira. Os dados do estudo ‘Os Brasileiros, a Pandemia e o Consumo’, realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Instituto FSB Pesquisa.

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O consumo de carne afeta desde o consumidor ao agricultor. Há menos 40% de bovinos no mercado o que aumenta os custos de produção. Sendo mais caro produzir se torna mais vantajoso exportar em dólar para a China, país que está consumindo como nunca o animal, do que vender no mercado interno, o que aumenta o preço nas gôndolas do mercado.

Os preços mais altos voltaram o consumidor para buscar frango, suínos e ovos. Estes inclusive registram os maiores preços nos últimos 20 anos. A alta de preços no supermercado também limita o consumo de frutas e vegetais.