Entidades manifestam repúdio à declaração de Bolsonaro de que pessoa com HIV é “despesa para todos”

Foto: REUTERS/Nacho Doce

O Conselho Nacional de Saúde (CNS) lançou nesta quinta-feira (6) a campanha #EuNãoSouDespesa, em resposta à declaração do presidente Jair Bolsonaro de que pessoas portadoras do vírus HIV, transmissor da Aids, são uma “despesa para todos no Brasil”, além de um “problema sério” para a própria pessoa.

Segundo o CNS, a campanha reúne vídeos com depoimentos de ativistas, estudantes, aposentados, jornalistas, profissionais de saúde, atores e cidadãos em geral que defendem o Sistema Único de Saúde (SUS), contra o estigma, o preconceito e a discriminação.

Leia também

Representantes do Movimento de Luta Contra a Aids no Brasil também manifestaram repúdio às declarações que associam o tratamento à despesa para o país.

“Ninguém é despesa. Nós pagamos impostos e esse dinheiro é revertido para a Saúde. Há várias décadas lutamos contra os estigmas, preconceitos e discriminação e não aceitamos mais rótulos”, diz Heliana Moura, assistente social da Rede Mulheres Vivendo com HIV/Aids.

“Somos todos pagantes de impostos caros. Somos contribuintes e não somos tratados de maneira digna pelo governo. Precisamos do SUS a todo vapor, porque pessoas são salvas por esse sistema. Estamos falando de vidas. Vamos repensar o que é despesa”, afirma Alexandre Telles, defensor do SUS.

“Sou brasileiro como todos os outros e nada que recebo do Estado recebo de graça. Tudo é pago pelos impostos que recolho todos os dias em qualquer coisa que compro neste país”, defende Carlos Alberto Duarte, representante do Grupo de Apoio à Prevenção da Aids (Gapa/RS).

“É meu direito e seu dever me respeitar”, diz Elsom Santana, representante da Rede Jovem Rio.

“Nosso tratamento de HIV/Aids no Brasil é referência mundial e não pode acabar. Muitas pessoas como eu, que vivem com HIV/Aids, têm uma vida normal e não geram despesas. Eu trabalho, pago meus impostos, gero trabalho e ajudo o outro. Vamos dizer não ao preconceito e à discriminação”, afirma Lysmaria Pinheiro, representante da Associação Brasileira de Redução de Danos (Aborda) e da Articulação Nacional de Saúde e Direitos Humanos (ANSDH).

“Eu não sou despesa. Eu sou receita. Sou receita humana, social, física, política, econômica. Eu produzo, eu faço a diferença. Esse planeta é meu, essa sociedade é minha, como é sua e como é de todos”, diz Marco Aurélio Tavares Bastos, jornalista e conselheiro gestor do Centro de Treinamento e Referência DST/Aids – SP.