Entenda por que a Warner cancelou 'Batgirl', mesmo com prejuízo milionário

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A decisão da Warner Bros. de cancelar o lançamento de "Batgirl", mesmo com um investimento milionário de US$ 90 milhões e com o filme pronto, até pegou os fãs de surpresa, mas não foi necessariamente uma decisão inesperada nos corredores do estúdio.

De acordo com a revista Variety, a decisão está de acordo com a nova gestão de David Zaslav, CEO da Warner desde maio, que pretende voltar a focar em grandes lançamentos com retorno garantido e rápido nos cinemas.

O filme protagonizado por Leslie Grace, com participações de Michael Keaton, J.K Simmons e Brendan Fraser não seria grande o bastante para um lançamento de força nos cinemas, entretanto os US$ 90 milhões gastos no projeto (originalmente orçado em US$ 75 milhões) também não o caracterizam como uma simples aquisição de catálogo para o serviço de streaming HBO Max.

Para um lançamento nas salas de cinema, seria preciso um investimento entre US$ 30 milhões e US$ 50 milhões para expandir o escopo da produção, com nomes mais chamativos e um trabalho mais intensivo com CGI e outros truques de pós-produção, além de dezenas de milhões dedicados ao marketing de lançamento.

Fontes da revista garantem que não está nos planos da Warner um gasto tão alto, ainda mais com a necessidade de apertar os cintos após a crise causada pela pandemia e pela gestão anterior, encabeçada por Jason Kilar e Ann Sarnoff, que decidiram lançar os filmes de forma simultânea entre o cinema e o HBO Max em 2021.

A decisão aumentou a base de assinantes da plataforma de streaming, mas enfraqueceu os lançamentos dos estúdios nos cinemas, gerando gastos considerados excessivos, como os bônus polpudos dados às produções de filmes como "Matrix Resurrections", além de processos por perda de receita.

A aprovação para rodar "Batgirl" veio exatamente da gestão de Kilar e Sarnoff. É esperado que, com o processo de engavetamento do filme que narra as origens da super heroína vivida por Barbara Gordon - junto à sequência da animação "Scooby!" -, a Warner gaste menos em impostos, que, na visão de Zaslav, seria a melhor forma de recuperar parte do investimento.

Desta maneira, o estúdio não só não pode utilizar os filmes, como não pode negociá-los com outros estúdios que tenham interesse em lançá-los. A decisão tem rendido críticas nas redes sociais, que acusam o estúdio de engavetar um filme estrelado por uma atriz negra, mas de manter em produção um projeto como "The Flash", protagonizado por Enzra Miller, envolto em uma série de acusações de agressão e assédio sexual.

O estúdio, entretanto, ainda não sabe como vai lidar com o filme, que já está com suas filmagens finalizadas e em processo de pós-produção. A ideia de um processo de refilmagem seria muito caro, enquanto descartar o filme, que custou US$ 250 milhões, seria um prejuízo ainda mais grave que o de "Batgirl".

Esta não foi a primeira decisão polêmica de Zaslav à frente da Warner Bros. O novo CEO, ao assumir, já havia decidido encerrar parcerias históricas, entre elas a que o estúdio mantinha com Clint Eastwood e sua Malpaso Produções. O baixo resultado de bilheteria de "Cry Macho" e o fato de o projeto não ter conseguido uma colocação na temporada de premiações, não foi bem visto pela gestão do magnata.

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