Entenda a depressão e saiba como ajudar quem sofre da doença

(Foto: Getty Images)

Por Fernanda Meirelles

Conhecida por performar no programa Raul Gil quando criança, Yasmim Gabrielle Amaral faleceu na manhã do último domingo (21). A adolescente, de apenas 17 anos, enfrentava uma quadro de depressão e cometeu suicídio.

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Há duas semanas o humorista e influenciador Whindersson Nunes anunciou ter a doença e estar passando por momentos bem difíceis. A notícia pegou muita gente de surpresa – para algumas pessoas, é difícil entender como um jovem tão talentoso e bem-sucedido não encontra vontade para viver.

Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, a atriz Sophie Turner, famosa pela série ‘Game of Thrones’ e noiva do cantor Joe Jonas, deu uma declaração parecida e revelou que ter passado por fases em que não encontrava motivação nem mesmo para se vestir.

Tantos casos recentes revelam que a depressão afeta cada vez mais jovens – e muitas vezes passa desapercebida por pessoas próximas. Quem já conviveu com uma pessoa que sofre desta doença sabe que a jornada é longa e tensa. Mas como notar a depressão em um amigo ou familiar? E como ajudar?

Entendendo a depressão

Antes de tudo, é importante entender a doença – um dos grandes males da sociedade moderna. A depressão pode se originar de vários fatores, genéticos, biológicos ou até psicossociais, que, como explica a psiquiatra Thays Mello, podem ser os “estressores da vida, as perdas, dificuldades nos relacionamentos, no trabalho”. Um paciente com depressão acaba deixando esta condição atrapalhar a rotina e a vida num geral. “É uma doença que afeta a pessoa a nível emocional, comportamental, físico e, muitas vezes, cognitivo. Não é apenas uma tristeza passageira, é não ver sentido em estar no mundo”, conta Daniela Pupo, psicóloga Gestalt-terapeuta.

De olho nos sintomas

Tristeza frequente, baixa autoestima (demonstrada através de autocrítica exagerada) e pensamentos negativos são indícios importantes de que algo está errado. Notou que a pessoa tem sido negligente com suas responsabilidades e não demonstra mais prazer ou interesse por nada? Acenda o sinal vermelho. “Para serem consideradas parte de um quadro depressivo e não de um período de tristeza, algo pelo qual todos passamos, os sintomas devem persistir por mais de duas semanas e afetar o funcionamento das relações e das responsabilidades consigo mesmo”, fala Thays.

Quais são as melhores formas de ajudar?

- Acolha: procure estar presente e ser um bom ouvinte, para que a pessoa perceba que não está sozinha. “Este primeiro passo é essencial para ganhar a confiança de quem sofre”, conta Daniela. Lembre-se de que alguém com transtornos mentais tende a se isolar e sentir culpa, desesperança e, nos casos mais graves, pode cogitar o suicídio.

- Incentive um tratamento: converse e sugira a procura pela ajuda de psicólogos e psiquiatras. “Pedir auxílio reduz o tempo de sofrimento e aumenta as chances e possibilidades de melhora”, diz Thays. O profissional buscará entender a demanda do tratamento e, para casos leves, pode ser proposta simplesmente uma mudança de hábitos ou estilo de vida. Agora, em casos mais sérios, o psicólogo costuma encaminhar o paciente para avaliação psiquiátrica e então são avaliadas questões clínicas e hormonais.

- Não julgue: “A pessoa com depressão não está vendo o mundo sob o mesmo olhar que você. Não adianta dar a sua opinião e exigir que ela entenda a situação da mesma maneira. Isso não fará bem a ela”, orienta Daniela. Receba o que a pessoa diz sem julgamentos: ela não vai comprar a sua linha de raciocínio imediatamente. O processo é lento e complexo.

- Cuide também da sua qualidade de vida: atividade física, relacionamentos saudáveis e dormir bem são fundamentais para quem convive intimamente ou é cuidador de alguém que tem qualquer doença crônica, caso contrário o risco de adoecimento é grande (seja um transtorno mental ou algo clínico). Não se esqueça de tomar conta também de si mesmo.