Engenheiro recria publicidade de cuecas e viraliza: ‘Sonho em ver um homem gordo representado’

Lucas Pasin
·3 minuto de leitura
Engenheiro recria publicidade de cuecas Calvin Klein (Foto: Reprodução/Instagram @ricardosfeir)

Engenheiro recria publicidade de cuecas

Engenheiro recria publicidade de cuecas Calvin Klein (Foto: Reprodução/Instagram @ricardosfeir)

Os abdômens trincados e os corpos magros representados em grande parte das publicidades de roupa íntima masculina nunca fizeram com que o engenheiro Ricardo Sfeir, de 27 anos, se sentisse representado. Pensando nisso, o paulista teve a ideia de pegar campanhas famosas da marca Calvin Klein e recriar fotos usando o seu corpo – considerado como ‘fora do padrão’ – para mostrar que o homem gordo também pode posar de cueca. A ideia foi tão boa que as imagens viralizaram no Instagram e foram notadas pela própria marca que comentou as imagens aplaudindo a iniciativa.

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Em conversa com o Yahoo, Ricardo explica que escolheu a Calvin Klein justamente por saber que a marca já explora a diversidade, inclusive com uma linha plus size feminina. Ele diz, no entanto, que sonha em ver um homem gordo representado:

“Sempre foi meu sonho ver alguém que nem eu representado com orgulho. Sei que diversidade é inerente a Calvin Klein, faz parte do DNA deles. Tenho certeza que estão preparados para um modelo masculino plus size. Eu com certeza estou. Tive a ideia de fazer essas fotos de cueca depois de ver a Jari Jones estampada em um Billboard – uma mulher trans, negra e gorda – mostrando que todos devem ser vistos e celebrados! Me inspirei principalmente nas mulheres gordas que tomam a frente diariamente nessa luta e que fazem valer por meio das suas vozes, que elas existem e merecem ser representadas”.

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Ricardo conta que encontrou muita dificuldade ao buscar referências de marcas mainstream que utilizassem modelos masculinos plus size em suas propagandas, especialmente de roupa íntima. “O grande objetivo dessas fotos era instigar as empresas a tomarem esse passo em relação a diversidade. Se eu sou uma parcela do mercado consumidor, por que eu não me vejo representado por essas empresas? Por que me falta possibilidade de comprar em diversas marcas por falta de tamanho? Por que o que deveria ser considerado um prazer, que é o ato de comprar algo para si, muitas vezes é um ponto de dor?, questiona ele.

‘Estrias eram uma vergonha e hoje são orgulho’

Ao falar de gordofobia, Ricardo diz que passa diariamente episódios tristes de preconceito por conta do corpo. Ele, que hoje posa de cueca nas redes sociais, relembra que chegou a ficar mais de uma década sem usar sungas por vergonha de mostrar as pernas.

“Durante muitos anos da minha vida tive uma autoestima baixa por causa da gordofobia. Não fazia compras ou saia de casa, passei uma década sem usar sunga. A constante conotação negativa em relação ao corpo gordo, muito impulsionado pela ideia de que quem é gordo não é saudável, com certeza favoreceu isso”, diz o engenheiro, que finaliza: “Hoje me sinto empoderado, consigo me olhar no espelho e ver um homem bonito na minha frente. Mais do que isso, consegui enxergar beleza em todos os corpos. Estrias, que antes eram uma vergonha, hoje são dispostas com orgulho”.