Tem um motivo para você estar obcecado com Emily in Paris

Marcela De Mingo
·4 minuto de leitura
Lily Collins é Emily, a protagonista de Emily in Paris, da Netflix (Foto: Divulgação)
Lily Collins é Emily, a protagonista de Emily in Paris, da Netflix (Foto: Divulgação)

Lá em março, quando a quarentena tinha acabado de começar e as pessoas ainda não entendiam muito bem o que estava acontecendo, o 'Big Brother Brasil 20', da Globo, virou o centro de todas as atenções. Também, pudera, no meio de uma situação tão estressante, encontrar um pouco de distração e divertimento (mesmo que com as suas necessárias doses de questionamento), era mais do que necessário. E, pode-se dizer que o mesmo tem acontecido com 'Emily in Paris', a mais nova série-sensação da Netflix.

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A história, protagonizada por Lily Collins, é quase como um 'Sex And The City’ da nova geração - não à toa, é do mesmo diretor da icônica série estrelada por Sarah Jessica Parker. Porém, o que chama a atenção em 'Emily in Paris' não são só os looks ou os cenários parisienses, os clichês e o otimismo da personagem principal, mas a sensação de amor e ódio do público.

O que vimos internet à fora é o quanto a série conquistou uma parte da audiência pelo gosto e outra parte pelo ódio. As maratonas de birra, algo como "achei tão ruim que vou continuar vendo só para reclamar", por exemplo, foram comuns entre muitas pessoas - e isso tem um motivo totalmente fundado no seu emocional.

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Assim como aconteceu com o ‘BBB' tantos meses atrás, 'Emily In Paris' virou uma forma de escapismo, uma maneira das pessoas se distraírem e se concentrarem em outra coisa que não as eleições (municipais, no caso do Brasil, presidenciais, nos Estados Unidos), a crise econômica e político-social e, claro, da própria pandemia de coronavírus.

"A polarização de opiniões sobre 'Emily in Paris' diz muito sobre como as pessoas lidam com crises e o caos", explicou a terapeuta Caroline Given ao Bustle. "É inegável que estamos vivendo um momento de agitação e, por mais que existam muitas maneiras de lidar com isso, eu acredito que as duas inclinações cognitivas mais comuns sejam o escapismo e o confronto da realidade".

Isso acontece quando o público precisa acompanhar uma profissional júnior de marketing que é enviada à França para representar a empresa em que trabalha (mesmo sem falar francês), e também ao ver as pessoas na rua, na série, sem máscara. As duas situações, que parecem absurdas por motivos diferentes, desconectam as pessoas da realidade que vivem hoje e as recordam de quando podiam ir e vir livremente.

"Cenas de casas noturnas mostram as pessoas de pé e sentadas perto umas das outras e que a vida é divertida e frívola. Algumas pessoas que assistem a isso podem desejar que também fossem livres, viajar para um outro país, sem a preocupação com COVID", explica o neuropsicólogo Dr. Sanam Hafeez, também ao Bustle.

De fato, com tudo o que vem acontecendo, é fácil esquecermos da parte boa da vida, da convivência com as pessoas que amamos e daquilo que gostamos de fazer. Uma série como essa apresenta uma dose de otimismo e entusiasmo que muitos de nós esquecemos como era, por conta de tantos meses de pandemia, e questões políticas, econômicas e sociais que têm surgido no mundo.

Ou seja, o que você assiste na televisão (ou pelo computador) diz muito sobre como você está se sentindo. Perder-se no mundo fantasioso de 'Emily in Paris’ pode ser uma maneira de lidar com a realidade do lado de fora (e a impossibilidade de ir para qualquer lugar), como também pode servir apenas como uma forma de você desabafar sobre o que tem sentido usando a série como desculpa - e tudo bem também. O principal, agora, é buscar formas confortáveis de lidar com o que vivemos hoje. E se isso for feito vendo uma série clichê com pretendentes gatos que falam francês… tudo certo.