Por pandemia, Emicida decide não ir a protesto contra racismo

Emicida. Foto: reprodução/Instagram/emicida

Emicida justificou sua decisão de não ir ao protesto contra o racismo previsto para este domingo (7) em São Paulo. O cantor ressalta que a indignação da população com a violência contra a população negra é legítima, mas lembra que o Brasil está numa fase crítica da pandemia do novo coronavírus, que tem registrado, em média, mais de mil mortos diariamente.

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Segundo o rapper, a manifestação, que segue o movimento de outros protestos pelo mundo após a morte do segurança americano George Floyd, poderia pôr em risco especialmente a população negra e periférica, vulnerabilizada por uma série de fatores socioeconômicos. Segundo dados oficiais, pretos e pardos são os mais atingidos pela infecção de Covid-19 no Brasil.

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“Qualquer aglomeração agora, por mais legítimos que sejam nossos motivos, é pular na ciranda da necropolítica e levar uma onda de contágio pior do que essa que já está dentro das comunidades onde vive quem a gente ama. Isso é parte do plano deles”, afirmou.

O artista reforçou ainda que “manifestação não é micareta” e que atos do tipo exigem organização da sociedade: “Quem acha que a estrutura racista do Brasil vai ser desligada como se fosse um interruptor está viajando na maionese. Precisamos de uma construção, de uma base, um projeto, uma coalizão em torna de algo”.

Alegando estar com “o coração em frangalhos” com os últimos episódios de violência racial e com as consequências da pandemia, Emicida defende uma outra abordagem para manifestar sua indignação.

“Não cheguei aqui porque agi na emoção, e não vai ser agora que eu vou começar a fazer isso, principalmente nesse contexto. Estrategicamente falando, a instabilidade está sendo ajustada para justificar uma pá de atitude arbitrária. Se a gente entrar na dança dos caras, sabemos quem vai sofrer. A gente sabe em que lugar e com que tipo de pessoa que o sistema brasileiro faz a sua arbitrariedade alcançar níveis máximos”, disse.

O rapper citou ainda o “histórico de repressão” brasileiro e a atual crise política do país ao analisar as possíveis consequências do protesto para a população. “Tudo que esses vermes querem é uma faísca para rasgar de vez o tecido social dessa p**** e justificar uma ruptura agressiva e violenta, que vocês sabem em cima de quem vai cair primeiro. Infelizmente, não estamos com preparo nenhum, organização nenhuma. Tudo que esse desgoverno quer é isso, você agindo na emoção”, disse.