Em SP, pretos têm 62% mais risco de morrer pelo Covid-19 do que brancos

A health worker holds a photo of a person he said was his colleague who died of COVID-19, at a protest outside "Pronto Socorro 28 de Agosto" Hospital in Manaus, Brazil, Monday, April 27, 2020. Cases of the new coronavirus are overwhelming hospitals, morgues and cemeteries across Brazil as Latin America's largest nation veers closer to becoming one of the world's pandemic hot spots. (AP Photo/Edmar Barros)

Texto: Nataly Simões | Edição: Simone Freire

Na cidade de São Paulo (SP), as pessoas pretas têm 62% mais risco de morrer vítimas do Covid-19, o novo coronavírus, do que as brancas. Entre as pardas, a letalidade é 23% maior do que as brancas. É o que revela o Boletim Epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde, divulgado na noite desta terça-feira (28).

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Embora a letalidade, ou seja, o número de mortes e o número total de doentes, seja maior entre a população negra, a branca lidera o número de mortos (1.244), seguido pela parda (418), preta (165) amarela (54) e indígena (2). Os números mais recentes com a variável de raça/cor são do dia 17. Até a terça-feira (28), o município registrou ao todo 15.213 casos confirmados de Covid-19 e 1.337 mortes.

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No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde de domingo (26), os pretos e pardos correspondem a 45,2% dos mortos pelo Covid-19. Duas semanas atrás, no primeiro balanço com o recorte racial, os percentuais de mortes entre os negros era de 32,8%. O país também chegou a 5.017 óbitos, acima dos 4.643 registrados na China, onde o vírus surgiu. 

Mortes se concentram nas periferias

As mortes por Covid-19 na cidade de São Paulo até o dia 21 se concentraram nas periferias. Os distritos com mais óbitos são a Brasilândia, na Zona Norte, com 67 mortes. Em seguida está Sapopemba, com 64, e São Mateus, na Zona Leste, com 52.

Os moradores negros nestas localidades correspondem a 43,4%, 32,6% e 45%, respectivamente, de acordo com o censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Ocupação dos leitos de UTI

O boletim da Secretaria Municipal de Saúde mostra que a ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) aumentou quase 100% com o avanço do Covid-19 em São Paulo. Esses leitos são voltados aos pacientes que apresentam quadros graves da doença e com maior risco de morte.

Houve um aumento de 149 pacientes hospitalizados no dia 7 para 296 no dia 23. Destes pacientes, 218 estavam entubados, respirando com o auxílio de aparelhos. Ainda segundo a pasta, 146 novos leitos de UTI foram criados no mesmo período para atender a demanda.

No início de abril, a Rede Nossa São Paulo divulgou um mapeamento que revela que 60% dos leitos de UTI no município estão distribuídos em bairros ricos e próximos ao centro. Enquanto mais de dois milhões de pessoas vivem em periferias que não têm nenhum leito.